O Futuro do Brasil

Frente às Mudanças Impactantes do Setor de Energia Mundial

Introdução

O Brasil vem passando por transformações econômicas importantes nos últimos anos, e o setor elétrico é um segmento fundamental para garantir o sucesso dessas mudanças. Por isso, a MegaWhat avalia, nesse estudo, o cenário do setor de energia do país e como ele pode se adaptar frente aos novos desafios e as tendências globais.

Balanço de Energia

Com os empreendimentos existentes, aqueles que estão em fase de implantação e que tem expectativa de entrar em operação até 2023, o cenário atual apresenta ampla oferta disponível.

Quando comparado com a atual perspectiva de crescimento do PIB, a oferta de energia ainda supera com folga a carga esperada para os próximos anos.

A relação entre perspectiva de crescimento do PIB e a oferta de energia é importante, dado que existe uma correlação entre o PIB e a carga. Dessa forma, o mercado de energia elétrica tem que estar pronto para um crescimento econômico mais expressivo.

Iniciativas em curso, por exemplo, a Reforma da Previdência e a Reforma Tributária podem ser fatores que contribuem para este crescimento.

Com o cenário atual, o PIB percentual tem espaço para crescer adicionais 2,5% ao ano até 2023, mantida a elasticidade carga/PIB da 2ª revisão quadrimestral do Plano da Operação Energética (PEN) desenvolvido pelo ONS, EPE e CCEE.

Balanço do sistema interligado Nacional

Embora a matriz elétrica atual não seja um limitador para o crescimento da economia, o país passa por uma discussão sobre o atendimento instantâneo da demanda. Isso porque a matriz, ao longo dos anos, tem apresentado maior entrada de fontes renováveis e intermitentes, e a diminuição da participação de hidrelétricas com reservatórios.

Histórico de Capacidade Instalada

Sistema Interligado Nacional (SIN)

Fonte dos Dados: ONS

A diminuição da participação desse tipo de usina hidrelétrica no sistema tem como consequência a redução da capacidade máxima de atendimento à carga. Isso significa por quanto tempo o sistema elétrico brasileiro pode ser atendido exclusivamente por hidrelétricas. Em 2012, a capacidade máxima era de, aproximadamente, 6 meses, enquanto em 2019 essa capacidade reduziu para pouco mais de 4 meses.

Capacidade Máxima/Carga

Fonte dos Dados: Histórico do ONS. Para 2019 foi utilizada a previsão de carga do PMO de setembro

O crescimento das fontes eólicas e solar é uma tendência mundial, e parece ser um caminho natural também para o Brasil. A preocupação com a descarbonização é crescente em contexto global, e há um movimento de empresas internacionais na busca de fontes renováveis para diminuir a emissão de carbono.

A participação dos consumidores menores também deve aumentar a entrada dessas fontes, já que a descentralização trazida pela micro e minigeração distribuída, que está em franco crescimento, é majoritariamente suprida pela fonte solar.

Geração por fonte

Matriz Global

Fontes Intermitentes

O aumento da participação das intermitentes tem relação com a queda dos preços destas fontes nos cenários internacionais e para hidrelétrica com reservatórios, a diminuição da participação na matriz tem relação há maior restrição ambiental para a construção desse tipo de empreendimento. A diminuição no preço das fontes intermitentes pode ser analisado pelo "Custo Nivelado de Energia", ou, da sigla em ingês, LCOE. O custo nivelado de energia leva em conta todos os custos esperados ao longo da vida útil de uma usina, incluindo o custo de investimento inicial.

Custo para produção de energia

(LCOE)

Fonte: Agência internacional para as energias renováveis (IRENA)

Mudanças no Mercado

Nessa nova estrutura de mercado, empreendimentos que agregam atributos de capacidade, contribuindo para o atendimento da demanda em momentos de stress, passam a ser primordiais para a segurança e funcionamento do sistema.

Esses empreendimentos permitirão um crescimento sustentável das fontes solar e eólica, garantindo a segurança do abastecimento.

BATERIAS: NOVA POSSIBILIDADE

Um dos possíveis caminhos para garantir o atendimento da eletricidade em momentos de stress, é o uso de sistemas de armazenamento, como, por exemplo, as baterias.

Os sistemas para armazenamento por meio de baterias têm apresentado uma curva decrescente de custos globais, que podem ser vistas como uma aposta para o futuro da matriz elétrica brasileira. Na Austrália, por exemplo, o armazenamento em grande escala já é realidade. Por lá foi instalado um sistema de armazenamento que gerou uma economia, no primeiro ano, de US$ 27 milhões, evitando a geração de termelétricas mais caras.

Além disso, o acordo entre a União Europeia e o Mercosul potencializa, no longo prazo, a entrada das renováveis, já que, além da preocupação com a descarbonização, o acordo pode diminuir os custos de equipamentos necessários à instalação de novos projetos no Brasil, já que parte desses são importados.

Evolução Preço das Baterias De Íon e Lítio

Caminhos para o gás natural

Outro caminho, que parece estar mais presente na realidade brasileira, são os empreendimentos termelétricos a gás natural. Essas usinas permitem o atendimento da carga instantânea, a preservação dos reservatórios de hidrelétricas e o aumento da participação das renováveis no sistema de forma segura.

A queda do preço do GNL, por conta da sobreoferta global, é um dos fatores que motivaram a expansão de Termelétricas no Brasil nos últimos anos.

O QUE PODE SER FEITO?

‌‌Outro ponto que pode destravar investimentos é a adoção do Novo Mercado de Gás, aprimorando o marco regulatório do setor de gás natural. O projeto tem como base, entre outros pilares, a integração entre o setor de gás natural e o setor elétrico, a promoção da concorrência e harmonização das regulações estaduais e federal.

Todos esses pilares podem promover a entrada de novos players, aumentando e diversificando a oferta de gás e, por consequência, reduzindo custos para implementação de novas termelétricas e termelétricas em operação.

Conclusão

Mesmo que ocorra um crescimento econômico acima do que está previsto pelo mercado, existe espaço para o atendimento da carga, dado o balanço energético atual. Por outro lado, o país enfrenta um novo desafio, que é o da transição energética de uma matriz com maior participação de fontes intermitentes. Nesse cenário, as térmicas a gás natural podem ser o vetor para a transição, permitindo a ascensão segura de eólicas e solares, além de no futuro haver uma integração com sistemas de armazenamentos inteligentes com baterias.

A transição traz um aumento da complexidade do setor, que demanda inteligência na operação e no planejamento da expansão, a partir do uso de tecnologias digitais, simplificando o acesso à informação e promovendo a conexão entre as pessoas.