A abertura do mercado de gás continuou pressionando os resultados da Petrobras em 2024, segundo o relatório da companhia do quarto trimestre do ano. No período, o segmento de gás e energias de baixo carbono da Petrobras teve lucro bruto de R$ 6,892 bilhões no quarto trimestre de 2024, com queda de 2,8% na comparação anual. As receitas de vendas alcançaram R$ 14,970 bilhões, 5,9% a mais do que no mesmo período do ano anterior.
A receita fixa de leilões, que considera a remuneração da disponibilidade térmica e da energia elétrica inflexível comprometida em leilão, foi de R$ 314 milhões no trimestre, contra R$ 435 milhões no ano anterior, o que corresponde a queda de 27,8%. O preço médio de venda de energia elétrica foi de R$ 407,84 por MWh no último trimestre de 2024, contra R$ 91,24 por MWh no mesmo período de 2023, com avanço de 347%.
Considerando todo o ano de 2024, o lucro bruto foi 11% inferior ao de 2023, a R$ 24,159 bilhões. Para a Petrobras, a variação reflete a abertura do mercado de gás, que provocou redução nos volumes e nos preços de venda de gás, além de reduzir o market share da empresa.
A estatal também explicou que houve impacto dos “movimentos para preservação da competitividade da Petrobras”, como o prêmio por performance implementado a partir de junho de 2024. Os encerramentos de contratos de energia, tanto nos ambientes regulado quanto livre, também contribuíram para esse desempenho, explica a petroleira.
Resultados
No quarto trimestre de 2024, a Petrobras registrou prejuízo de R$ 17,044 bilhões, revertendo lucro de R$ 31,043 bilhões registrado no mesmo período de 2023. A petroleira justificou que o resultado se deve so fator “exclusivamente contábil” de variação cambial das dívidas entre a Petrobras e suas subsidiárias no exterior, que entra no resultado final da holding no Brasil.
“Esse item gerou uma variação negativa de US$ 10,9 bilhões no resultado anual da Petrobras em relação a 2023”, explicou em comunicado o diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores da estatal, Fernando Melgarejo.
Ele mencionou que as operações financeiras entre empresas do mesmo grupo geram efeitos opostos que, ao final, se equilibram economicamente. “A variação cambial nestas transações entra no resultado líquido da holding no Brasil e impactou negativamente o lucro de 2024. Ao mesmo tempo, houve impacto positivo direto no patrimônio”, explicou Melgarejo no comunicado.
Outros fatores que impactaram o resultado da petroleira foram a redução na produção e fatores de mercado, como a redução no preço do petróleo e nas margens de refino. O lucro buto do segmento de exploração e produção foi de R$ 41,125 bilhões no trimestre, com queda de 20,4% na comparação anual
O Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) ajustado da Petrobras no quarto trimestre de 2024 foi de R$ 40,968 bilhões no período, com retração de 38,7% em um ano.
A diretoria da empresa ressaltou a geração de caixa operacional, que alcançou R$ 47,666 bilhões no trimestre, com redução de 17,3% na base anual. No ano, a geração de caixa operacional foi de R$ 204,037 bilhões, com retração de 5,4% em relação a 2023. “Esse resultado demonstra a saúde financeira da companhia e a qualidade de seus ativos, que operam com rentabilidade”, diz Melgarejo no relatório.
No período, houve desvalorização cambial de 18% do real frente ao dólar médio de venda, e o preço do brent caiu 11,1%, encerrando 2024 a US$ 74,69. O preço médio dos derivados básicos no mercado interno foi de R$ 485,55 por barril, com retração de 6%.