O Itaipu Parquetec, parque de inovações fundado por Itaipu Binacional como forma de expansão, levará duas embarcações que usam o hidrogênio verde (H2V) como forma de energia para a COP30, em Belém, no Pará. Uma delas, com propulsão a hidrogênio verde, deve permanecer na cidade, que ganhará estrutura para abastecimento e geração da molécula. A outra utiliza, no momento, hidrogênio como forma de energia para serviços de hotelaria e sistemas auxiliares.
O barco com propulsão a hidrogênio verde será utilizado para coleta de resíduos recicláveis nas ilhas de Belém. Segundo o diretor de tecnologias de Itaipu Parquetec, Alexandre Leite, o projeto surgiu para ampliar o caráter ambiental das cooperativas de catadores, já que atualmente a coleta dos resíduos é feita com barcos a diesel. O veículo tem 31 pés de comprimento (cerca de 9,5 metros) e capacidade para até 9 toneladas de carga.
A embarcação está sendo construída nas instalações de Itaipu Parquetec, que planeja fazer uma volta inicial do barco no lago de Itaipu em 13 de outubro. As projeções são que cada abastecimento deve conferir ao barco uma autonomia média de três horas. “O consumo do barco depende muito da pressão que você coloca o hidrogênio nos tanques”, explica Leite, que também esclarece que os cálculos finais serão feitos em breve na embarcação.
Como o barco ficará em Belém, o projeto também prevê a construção de uma planta de hidrogênio verde e abastecimento. A síntese da molécula será toda feita no local, a partir de placas solares para gerar a energia para hidrólise. A estrutura será instalada nas dependências da Universidade Federal do Pará (UFPA) e também estará disponível para pesquisas acadêmicas da instituição. Este projeto é uma parceria de Itaipu Parquetec com a prefeitura de Belém, o estado do Pará e a Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa e a Universidade Federal do Pará (UFPA).
Síntese de hidrogênio offshore
O segundo barco que Itaipu Parquetec levará para a COP30 é resultado de uma parceria com o Grupo Náutica. Batizado “Jaq” em homenagem ao oceanógrafo francês Jacques Custeau, o projeto prevê a conversão de dois barcos para uso do hidrogênio como fonte de energia.
O primeiro deles, Explorer I, já utiliza a molécula para alimentar operações de hotelaria, ar-condicionado, sistemas auxiliares e de bombas. É este que será apresentado em Belém. Segundo Leite, o veículo tem 130 pés (cerca de 40 metros) de comprimento. “Nós vamos fazer todo o comissionamento do barco lá em Belém”, adianta Leite.
Uma segunda fase prevê a conversão de 20% da propulsão deste barco para hidrogênio verde, com os 80% restantes a diesel. Segundo o projeto, essa solução é de aplicação imediata, pois aproveita a base dos motores a diesel já consolidados no mercado, dispensando grandes modificações em plataformas existentes.
O projeto Jaq também abrange uma segunda embarcação, de 150 metros (cerca de 46 metros), que não apenas deve ser convertida para propulsão a H2V, mas receber a estrutura para sintetização do hidrogênio. Isso vai demandar sistemas para dessalinização da água a ser utilizada na hidrólise e a própria instalação de um eletrolisador no barco.
Segundo Leite, o funcionamento de um eletrolisador embarcado traz desafios adicionais relacionados à interferência das ondulações do mar ou dos rios em que estiver navegando. “Às vezes o brasileiro tem essa aquela síndrome do cachorro magro, mas quando se fala em tecnologia de hidrogênio verde a gente está no mesmo nível de tecnologia de qualquer outro país”, conta o diretor de Itaipu Parquetec.
Outras iniciativas de Itaipu Parquetec na COP30
Alexandre Leite explica que o projeto do barco para coleta de resíduos é derivado de outra iniciativa de Itaipu Parquetec no contexto da COP30, chamada de Unidade de Valorização de Resíduos (URV). O projeto está apoiando quatro associações de catadores de lixo reciclável. “Duas, inclusive, com saída para a orla”, observa.
As instituições passarão por mentorias para administração do negócio, segurança na operação, recebimento de equipamentos de proteção individual, entre outras medidas. A metodologia já foi testada e aprovada por Itaipu Parquetec junto a associações de catadores no Paraná.
Assim, a organização percebeu que a coleta dos resíduos era feita com barcos movidos a diesel e em mau estado de conservação. “Os barcos fazem parte da mobilidade de Belém do Pará. O que que adianta a gente fazer um programa de reciclagem e ter um barco a diesel circulando e soltando CO2? Então propusemos, nós temos a expertise”, conta Leite. O projeto URV é uma parceria de Itaipu Binacional, Itaipu Parquetec e a Prefeitura de Belém.
Além disso, Itaipu Parquetec lidera um projeto chamado Distrito de Inovação e Bioeconomia de Belém (DIBB), que será uma incubadora de startups de biotecnologia. “Estamos levando para lá a nossa metodologia d einovação e empreendedorismo”, conta Leite.
O DIBB funcionará em um prédio histórico cedido pela prefeitura no centro de Belém. O primeiro edital deverá apoiar 20 empreendedores locais, sendo dez para pré-incubação e outros dez para aceleração.
Ações de Itaipu Binacional na COP30
Em 2024, a gestão brasileira da usina Itaipu Binacional anunciou o investimento de R$ 1,3 bilhão para a COP30. Entre os projetos, há obras de infraestrutura viária, construção de 50 quilômetros de redes coletoras de esgoto e 4,8 mil ligações de esgoto, reforma do Complexo Ver-O-Peso, entre outras ações.