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Com 4 GW em portfólio, CPFL vê corte de geração como 'inibidor' de investimentos

Gustavo Estrella, presidente da CPFL Energia. Divulgação Redes Sociais
Gustavo Estrella, presidente da CPFL Energia. Divulgação do executivo em suas redes sociais

Os cortes de geração, conhecidos como curtailment, são “inibidores” para investimentos no Brasil e precisam ser endereçados para novas oportunidades no setor elétrico. A afirmação foi feita por Gustavo Estrella, presidente da CPFL Energia, após destacar quase 4 GW em pipeline para possíveis novos investimentos da empresa no Brasil, mas que dependem da demanda.

Para o executivo, aplicações de capital no setor de geração estão limitadas devido aos desafios envolvendo os cortes e a sobreoferta de energia – que hoje, segundo ele, está em torno de 20% no Brasil. No entanto, “qualquer oportunidade que vier ao mercado dentro de distribuição”, a empresa pretende analisar, assim como o leilão de baterias, prometido pelo governo para 2025.

Estrella esteve presente na inauguração da pequena central hidrelétrica (PCH) Lúcia Cherobim, de 28 MW, localizada no rio Iguaçu, no Paraná, nesta terça-feira, 3 de abril. Ao responder perguntas de jornalistas, ele disse que a companhia segue acreditando em uma expansão via renováveis, mas que o tema da intermitência é um desafio e será colocado na mesa para as considerações de investimento.

“Temos hoje 4,4 GW de capacidade instalada e outros quase 4 GW de pipeline para possíveis novos investimentos que, obviamente, vão depender de como vai se dar a demanda e a necessidade da expansão. Fizemos estudos e vimos o potencial do vento e da água para que, quando começar o investimento, esses projetos possam entrar em desenvolvimento à medida que haja oportunidade”, falou.

Cortes de geração na CPFL

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A CPFL Energia registrou uma expansão da sua geração de 12,1% no ano, a 16.715 GWh, refletindo, principalmente, a expansão de 30,9% na geração hídrica, enquanto a eólica recuou 10,4%.

O desempenho foi afetado negativamente pelos cortes de geração. Embora o vento tenha sido 5% maior na comparação com 2023, o curtailment foi responsabilizado por uma redução de 15,4% na energia gerada, o que representou impacto de R$ 274 milhões no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) da companhia.

Durante teleconferência para divulgação dos resultados do último trimestre do ano passado, Estrella destacou que os cortes devem continuar piorando ao longo de 2025, já que a geração intermitente continua crescendo. Considerando que a matriz será cada vez mais variável, o executivo entende que cabe à política pública resolver o problema e manter o setor atrativo para investimentos seguros em renováveis.

Soluções para intermitência das renováveis

Para o presidente da CPFL Energia, os sistemas de armazenamento em baterias estão entre as potenciais soluções para o tema da intermitência no Brasil, pois as renováveis continuarão crescendo e podem vir a se tornar “um problema maior”.

“Também há as hidrelétricas reversíveis e outras alternativas técnicas para endereçarmos o tema da intermitência. Teremos o leilão das baterias, no qual não sabemos o modelo de negócio, mas, certamente, [é um] modelo que interessa participarmos devido a importância para o sistema. Conhecendo e entendendo como será o racional de remuneração e outros detalhes, pode ser que funcione para a gente como investimento”, afirmou.

Renovação das concessões e perspectivas de longo prazo

Após enviar os pedidos para renovação das concessões de suas distribuidoras de energia para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a CPFL pode ganhar novas perspectiva de longo prazo, segundo Gustavo Estrella.

A CPFL é dona das concessionárias de distribuição CPFL Paulista e Piratininga, no interior de São Paulo, Santa Cruz, que atende municípios em São Paulo, Paraná e Minas Gerais, e a RGE, no Rio Grande do Sul. As concessões da RGE e da CPFL Paulista vencem em novembro de 2027, enquanto a da CPFL Piratininga termina em outubro de 2028 – a empresa pediu a renovação para essas concessões.

Em fevereiro, Estrella comentou que a empresa espera ter previsibilidade para o planejamento dos seus negócios e que analisará oportunidades.

“A perspectiva de longo prazo com a nova concessão é fundamental para a gente pensar em qualquer movimento no setor de distribuição. Não tem nenhuma oportunidade hoje na mesa, mas é um segmento consolidado e a CPFL é o maior player desse mercado. Qualquer oportunidade que vier ao mercado nós vamos olhar”, destacou.

*A repórter viajou para o Paraná a convite da CPFL