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Autoprodução é principal ‘atrativo’ para trazer data centers para o Brasil, diz desenvolvedora

Gabriel Alday, gerente de desenvolvimento de negócios da CouldHQ, desenvolvedora de data centers voltada para o mercado de hyperscale.
Gabriel Alday, gerente de desenvolvimento de negócios da CouldHQ, desenvolvedora de data centers voltada para o mercado de hyperscale/ Crédito: Cela (Divulgação)

O Brasil é o principal mercado da América Latina para os data centers e tem capacidade para crescer ainda mais no segmento devido a sua área territorial e a riqueza em fontes renováveis. A opinião é de Gabriel Alday, gerente de desenvolvimento de negócios da CloudHQ, desenvolvedora de data centers voltada para o mercado de hyperscale.

Segundo ele, a América Latina soma cerca de 900 MW em data centers, sendo 600 MW apenas no Brasil, onde a modalidade de contrato de autoprodução se tornou um “grande atrativo” para clientes.

Com mais de 4 GWs em data centers no mundo e 1 GW em construção, a desenvolvedora costuma fechar com seus clientes contratos de longo prazo, de 15 anos, e garante disponibilidade da infraestrutura o tempo todo.

“Não posso derrubar uma operação, por isso que eu tenho os geradores em redundância, baterias para segurar em caso de algum problema de energia. Por isso, uma das nossas primeiras análises para construir um projeto é o ponto de energia. Como desenvolvedora, nós alugamos o espaço e a energia, que é um benefício que vai diretamente para o cliente. Aqui no Brasil, em termos de energia renovável, a autoprodução é um benefício enorme para o cliente, um dos grandes atrativos para conseguirmos trazer e crescer este mercado ainda mais”, disse o executivo em um evento de apresentação de um estudo da Clean Energy Latin America (Cela) sobre autoprodução.

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Em sua visão, apesar dos Estados Unidos seguirem como principal mercado para o segmento, as big techs estão buscando locais com energia renovável a preços competitivos, e o Brasil é um forte candidato.

“Enxergamos a vinda de empresas com inteligência artificial para o Brasil, mas, talvez não na velocidade que todo mundo espera e que tem se falado. Porém, eles ainda estão tentando entender como vão vender isso lá fora e devem começar soltar os primeiros data centers do gênero por lá, com a segunda leva vindo para a América Latina inteira. Obviamente, o Brasil é o principal candidato, pois não vejo isso indo para outro país como Chile, onde a energia não é a mesma coisa”, disse.

Um dos modelos de contrato da modalidade de autoprodução é a remota por equiparação, em que o consumidor de energia se torna sócio de um projeto de geração renovável e com isso garante a isenção da maioria dos encargos setoriais, incluindo a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), encargo setorial cujo orçamento de 2025 chegou a R$ 40 bilhões, o Encargo de Energia de Reserva (EER) e os Encargos de Serviços do Sistema (ESS).

Empresa no Brasil

O grupo de datacenter norte-americano está em vias de concluir seu campus de datacenter, que tem conexão direta ao sistema de transmissão de energia de alta tensão em 440 kV, na cidade de Paulínia, região Metropolitana de Campinas, São Paulo. O investimento total previsto para o campus será de até US$ 3 bilhões.

O campus terá três edifícios, com capacidade máxima de 48 MW cada, sendo escalável para acomodar mais três edifícios, uma subestação no local de 225MW, expansível para 400MW e alta disponibilidade de conexão com diversos operadores de fibra. De acordo com Alday, a empresa foi a primeira do ramo a conseguir conexão com a rede básica do Brasil.

A empresa tem projetos nos Estados Unidos, França, Alemanha, Inglaterra e está expandindo pra Ásia. Dentro da América Latina, a CouldHQ tem no México um projeto, dois projetos no Brasil, um em Paulínia e outro no Rio de Janeiro. Além disso, também está olhando para Chile, Colômbia e Argentina, mas, por enquanto, sem sites adquiridos.

Análises de localidade

Para ilustrar as avaliações feitas pelas desenvolvedoras na escolha dos locais, Alday explicou que as big techs analisam se riscos de catástrofes, proximidade com empresas vizinhas ou rotas de aviões e a disponibilidade de fibra ótica. Segundo ele, São Paulo é um dos estados mais procurados pelas empresas por conta da sua extensão de fibra ótica, sendo Campinas a cidade mais buscada, correspondendo a 40% do mercado no país.