
O novo termo aditivo dos contratos de concessão das distribuidoras é uma evolução em relação ao anterior, principalmente no que tange questões relacionadas às perdas não técnicas. A opinião é de Alexandre Nogueira, CEO da Light, que enviou um ofício nesta quinta-feira, 27 de março, ao Ministério de Minas e Energia e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmando seu interesse na renovação antecipada de sua concessão na Light Serviços de Eletricidade (Sesa).
Em teleconferência para apresentação dos resultados do último trimestre de 2024, o executivo afirmou que a Light precisa de um contrato de concessão que reconheça as suas especificidades. Segundo Nogueira, o novo termo aprovado pela Aneel em fevereiro trouxe as diretrizes necessárias para os níveis de perdas em áreas nas quais a companhia não consegue atuar, ponto que vem sendo pleiteado pela empresa ao longo dos meses de discussão sobre o tema.
O contrato de concessão da Light se encerra em junho de 2026 e a empresa já havia manifestado o interesse de renová-la por mais 30 anos. Para o executivo, o tema foi endereçado na minuta aprovada recentemente e pode ajudar a endereçar o equilíbrio econômico e financeiro da concessão da distribuidora no Rio de Janeiro.
“O tratamento das áreas de risco tende a ter um tratamento diferenciado das áreas de não risco. Isso é uma evolução em relação ao contrato atual e está refletido na minuta de novo contrato e no decreto emitido pelo Ministério de Minas e Energia. Para a Light, isso é um evento muito importante para dar mais sustentabilidade econômico-financeira e para propiciar um aumento dos investimentos, sobretudo em modernização e renovação da sua rede”, destacou o executivo.
Em complemento, Rodrigo Tostes, diretor financeiro da Light, disse que o atual nível de perdas da área de concessão da Light exige uma solução estrutural, além das ações operacionais já em andamento.
Perdas não técnicas
No acumulado de 2024, a perda total da Light alcançou 11.152 GWh, alta de 737 GWh quando comparada ao ano anterior (+7,1%). No mesmo período, a perda não técnica, principal responsável pelo resultado da total, cresceu 614 GWh.
Do total de perdas não técnicas, 86% concentraram-se nas áreas de risco. Nas áreas, a dinâmica de perdas foi influenciada pela maior temperatura média ao longo de 2024.
Resultados do 4T2024
A distribuidora registrou lucro líquido de R$ 1,86 bilhão no último trimestre de 2024, acima dos R$ 50 milhões contabilizados no quarto trimestre de 2023.
“O foco da nova administração da Light é a preservação do caixa e da operação. Reestruturamos a dívida, que teve custos reduzidos e prazos alongados e mantivemos foco no caixa. No lado operacional, investimos em inovação e melhoramos a nossa eficiência, diminuindo custos e aprimorando nosso atendimento ao cliente. O nosso DEC, indicador que acompanha a duração de interrupções no fornecimento de energia, ficou em 6,74 horas no último trimestre do ano, o melhor resultado da série história para esse período”, destacou o CEO do grupo.
O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 356 milhões, queda de 42,5% na comparação anual.
A receita líquida reportada foi de R$ 4,12 bilhões, alta de 12,4%, e a dívida líquida encerrou o período em R$ 4,5 bilhões, redução de 50% em relação ao ano anterior, impulsionada, principalmente, pela reestruturação e pela melhora na posição de caixa da etapa.
Segundo a empresa, a melhora no perfil da dívida, no contexto da reestruturação, foi resultado do estorno líquido de aproximadamente R$ 800 milhões em juros, variação monetária e cambial excedentes, registrados sob as condições pré- reestruturação.
Também surtiram efeito a redução de R$ 3,1 bilhões – resultante do pagamento de R$ 238 milhões a credores com valores a receber inferiores a R$ 30 mil (realizado no 3T24), de aproximadamente R$ 270 milhões referentes ao desconto de 80% sobre o valor de face original do crédito de credores não optantes, além da assunção de créditos pela holding no montante de R$ 2,4 bilhões, por meio de títulos conversíveis em ações e de credores não optantes.
Mercado no último trimestre
O mercado faturado ajustado totalizou 6.498 GWh no quarto trimestre do último ano, queda de 61 GWh (-0,9%), justificado pelo efeito de migração do consumo para o mercado de geração distribuída e menor média de temperatura.
Dessa forma, o crescimento no segmento de uso de rede, com alta 17,1% na comparação anual, compensou apenas parcialmente a retração observada nas classes de consumo do mercado cativo, que registro redução de 12,8%.
O volume comercializado pelo grupo atingiu 1.224 MW médios, um aumento de 137,2% na comparação anual. De acordo com a empresa, apesar do aumento no volume comercializado, o término da vigência de contratos relevantes com consumidores e agentes resultou na venda dessa energia a um preço médio inferior ao dos contratos anteriores, impactou negativamente a margem do segmento de geração + comercialização ao longo do período.
Como resultado, o Ebitda combinado das operações de geração e comercialização foi de R$191 milhões no período, redução de 5,7%.
Ainda no último trimestre, os investimentos da distribuidora totalizaram R$ 319 milhões, alta de 36,1%, devido a priorização de investimentos na expansão e manutenção da rede, garantindo a qualidade do fornecimento e a eficiência operacional.