A Vibra Energia, que concluiu a compra da Comerc Energia por R$ 3,52 bilhões em agosto de 2024 com efeitos a partir de janeiro de 2025, avalia que agora é o momento de a empresa gerar caixa e não pretende fazer novos investimentos no setor de energia elétrica.
“O nosso foco na Comerc nesses próximos 12 a 18 meses é geração de caixa, fluxo de caixa livre da companhia. Esse é nosso principal objetivo, e aproveitando o momento de mercado também, que não justifica qualquer tipo de investimento”, disse o presidente da Vibra, Ernesto Posada, durante teleconferência de resultados da companhia do quarto trimestre de 2024.
Além disso, a Vibra pretende aumentar o nível de sinergias entre as empresas, para aumentar a eficiência. Segundo o relatório de resultados, a “captura de sinergias” com a Comerc está muito fundamentada “nas renegociações das dívidas da Comerc e liability management da companhia consolidada”.
Durante o quarto trimestre de 2024, a Comerc contribuiu com Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) superior a R$ 1 bilhão. No período, a fatia da Vibra ainda era de 48,7% de participação acionária.
Preços de combustíveis e eventos não recorrentes influenciaram resultado
No quarto trimestre de 2024, a Vibra registrou lucro líquido de R$ 510 milhões, o que representou uma redução de 84,5% em relação ao mesmo período de 2023. A companhia justifica a queda por fatores não recorrentes.
“Mais ou menos R$ 150 milhões nós tivemos no quarto trimestre de eventos que não pertencem ao quarto trimestre e acontecem uma vez só”, disse na teleconferência o diretor Financeiro da Vibra, Augusto Ribeiro.
Entre tais fatores, está a própria compra da fatia adicional da Comerc, que teve efeitos contabilizados já no quarto trimestre. Outros fatores não recorrentes foram a redução no preço do querosene de aviação (“dado o market share relevante que nós temos no mercado, sentimos mais do que outras empresas comparáveis”, explicou Ribeiro) e a redução na participação de “clientes com impacto relevante no resultado”, com reflexos de quase R$ 20 milhões no balanço, segundo o diretor.
O volume de vendas da empresa também ficou abaixo do esperado. No total, a Vibra teve uma oscilação de 1,7% para baixo nos volumes totais no trimestre, totalizando 9.017 mil m³ vendidos. No ano de 2024, o volume total de vendas foi de 35.821 mil m³, com redução de 3% em relação a 2023. A diretoria da Vibra explica que houve uma demanda menor do que o projetado, especialmente no setor agro.
No quarto trimestre, a Vibra avalia ter sofrido impacto das fraudes no cumprimento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel. “Esse fator afetou muito a indústria no quarto trimestre, gerando um descompasso competitivo entre empresas que misturam conforme lei e têm o seu custo no produto e empresas que não misturam e têm uma competitividade que não é a correta”, explicou Pousada na teleconferência.
Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), os preços do biodiesel aumentaram R$ 15,23% entre a primeira e a última semanas do quarto trimestre. Assim, distribuidores que não cumprem a mistura obrigatória acabam tendo vantagens no custo final do combustível.
Para a Vibra, o principal impacto foi sentido no segmento de Transportador Revendedor Retalhista (TRR), onde a empresa passou de 17,8% de market share no quarto trimestre de 2023 para 14,8% de market share no último trimestre de 2024. “Esse foi um canal foi muito utilizado para despejar grandes volumes sem a adição do biodiesel”, disse Pousada.
Resultados
No quarto trimestre de 2024, a Vibra teve lucro líquido de R$ 510 milhões, o que representou uma redução de 84,5% em relação ao mesmo período de 2023. O volume de vendas caiu 1,7%, a 9.017 mil m³. A receita líquida ajustada foi de R$ 44,447 bilhões, com avanço de 1,4% em um ano. A margem bruta caiu 16,9% no período, a R$ 235 / m³.
O Ebitda no quarto trimestre de 2024 foi de R$ 462 milhões, contra R$ 4,65 bilhões no mesmo período do ano anterior. O Ebitda ajustado foi de R$ 1,3 bilhão, com redução de 43,9% em um ano.
Para 2025, a Vibra espera reduzir despesas e otimizar o capital de giro da empresa. “Tenho bastante confiança que o resultado de 2025 virá do controle de custos e uma redução de custos, com mais eficiências logísticas, olhando novamente as nossas bases que nós temos, onde estão no lugar certo, com o volume certo, com as pessoas certas, enfim, então nós temos uma oportunidade”, avaliou Pousada.