Economia e Política

Excluir energia do cálculo da inflação é medida ‘inteligente’, defende Alckmin

Banco Central pode vir a estudar a exclusão da energia do cálculo da taxa básica de juros

Geraldo Alckmin / Crédito: José Cruz, Agência Brasil
Geraldo Alckmin / Crédito: José Cruz, Agência Brasil

O Banco Central pode vir a estudar a exclusão dos preços da energia e dos alimentos do cálculo da taxa básica de juros. Na opinião do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Geraldo Alckmin, a medida seria “inteligente” e deve ajudar o país a focar em itens que podem “efetivamente” causar uma redução da inflação.

Como exemplo, Alckmin citou a adoção do mecanismo pelo Federal Reserve (Fed, Banco Central norte-americano), destacando que a energia e o alimentos são itens afetados por questões externas e podem ser revistos dentro da taxa.

“A taxa de juros elevada atrapalha a economia porque torna caro o custo de capital. Mencionei o exemplo americano, pois ele tira do cálculo da inflação o alimento, porque [entra no critério de] clima, caso aconteça uma alteração climática grande, o preço sobe. Não adianta aumentar os juros, porque não vai parar de chover e vai prejudicar a economia e, no caso do Brasil, pior ainda porque aumenta a dívida pública. Eles também tiraram a energia e o preço de barril de petróleo. É uma medida inteligente e devemos aumentar os juros naquilo que vai ter efetivamente ajudar na redução da inflação, movimento essencial e que atinge o assalariado. É uma medida a ser estudada pelo banco central brasileiro”, disse o vice-presidente em evento do Valor Econômico promovido nesta segunda-feira, 24 de março.

Ciclo de contração na política monetária

A taxa básica de juros é representada pela Selic (sigla para Sistema Especial de Liquidação e Custódia), que tem influência em todas as taxas de juros praticadas no país, como as cobradas em empréstimos, financiamentos e afeta o retorno de aplicações financeiras. A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

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Na última semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a taxa Selic para 14,25% ao ano, uma elevação em relação a janeiro de 2025, quando os juros estavam em 13,25% ao ano, como uma forma de desestimular o consumo e conter a inflação. Essa foi a quinta alta seguida da Selic, sendo que a taxa está no maior nível desde outubro de 2016, quando também estava em 14,25% ao ano. A alta consolida um ciclo de contração na política monetária.

Em comunicado sobre a alta, o Copom afirmou que as incertezas externas, principalmente pela política comercial do país, suscitam dúvidas sobre a postura do Federal Reserve. Em relação ao Brasil, o órgão destacou que a economia brasileira está aquecida, apesar de sinais de moderação no crescimento. O comitê ainda informou que a inflação cheia e os núcleos (medida que exclui preços mais voláteis, como alimentos e energia) continuam em alta, alertando que existe o risco de que a inflação de serviços continue elevada.

Em fevereiro, o IPCA, considerado a inflação oficial, ficou em 1,48%. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o fim do bônus de Itaipu sobre a conta de luz e o preço de alguns alimentos contribuíram para o índice. No período,  o IPCA foi afetado principalmente pelo aumento de 16,80% na conta de luz residencial, que exerceu um impacto de 0,56 ponto percentual (p.p.) no índice.

Brasil na transição

O vice-presidente lamentou a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, mas destacou o protagonismo do Brasil na transição energética e na questão climática.

“Teremos muita oportunidade nesta questão. Teremos COP30, em Belém, que pode trazer uma mudança desafiadora, porém importante. Também aprovamos diversos projetos de lei para avanço da agenda regulatória. Estamos otimistas com os projetos de data centers, hidrogênio verde e SAF”, disse Alckmin. 

(Com informações da Agência Brasil)