A Petrobras espera levar 3,7 GW em projetos novos e existentes para o leilão de reserva de capacidade na forma de potência, que deve acontecer em junho deste ano. O Complexo de Energias Boaventura (ex-Gaslub e Comperj) deve entrar com 800 MW em duas novas usinas, sendo 400 MW em cada planta, segundo o presidente de Transição Energética e Sustentabilidade da companhia, Mauricio Tolmasquim.
“São térmicas modernas em ciclo aberto para poder entrar rapidamente, e a gente acha que elas são fundamentais para o futuro do abastecimento do país”, disse o executivo a jornalistas após a divulgação dos resultados da Petrobras do quarto trimestre de 2024.
Tolmasquim informou que os 800 MW corresponderão à totalidade dos projetos de geração térmica do Complexo de Energias Boaventura, que inicialmente previa uma capacidade total de 1,8 GW em uma primeira planta de 1.200 MW e em outra planta de 600 MW.
A Petrobras também pretende inscrever no leilão mais 2,9 GW em usinas existentes. “A gente tem nove termelétricas descontratando ou descontratada”, disse Tolmasquim. “A nossa perspectiva é que haja uma demanda razoável que justifique tanto a contratação das existentes como a contratação dessas duas plantas novas que nós estamos querendo vender”, comentou o executivo.
A demanda total a ser contratada não será conhecida até o fim do certame, e será calculada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Nesta semana, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) abriu consulta pública para discutir a minuta do edital do certame.
O leilão pretende contratar térmicas a gás ou a biocombustível, e a Petrobras também já planeja incluir o biodiesel como combustível para a UTE Termoceará, de 220 MW de potência. A usina está descontratada desde o final de 2024, quando venceu o contrato do leilão A-5 de 2007. Desde setembro de 2023 a usina estava sendo despachada para atendimento à ponta da carga.
No balanço do quarto trimestre de 2024, a Petrobras registrou que “os encerramentos de contratos de energia, tanto nos ambientes regulado quanto livre” contribuíram para o resultado do segmento de gás e energias de baixo carbono da estatal, que em um ano teve queda de 2,8% no lucro bruto, a R$ 6,892 bilhões no quarto trimestre de 2024.
A receita fixa de leilões, que considera a remuneração da disponibilidade térmica e da energia elétrica inflexível comprometida em leilão, foi de R$ 314 milhões no trimestre, contra R$ 435 milhões no ano anterior, o que corresponde a queda de 27,8%. O preço médio de venda de energia elétrica foi de R$ 407,84 por MWh no último trimestre de 2024, contra R$ 91,24 por MWh no mesmo período de 2023, com avanço de 347%.