Com Luz e Wisebyte, Delta Energia quer fatia de 15% do novo varejo do mercado livre

Camila Maia

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Camila Maia

Publicado

02/Jan/2024 13:55 BRT

Lançada em 2022 com uma atuação, inicialmente, no mercado de geração distribuída (GD), a Luz, empresa digital do grupo Delta Energia, tem como meta atingir 15% do mercado de varejo de energia viabilizado desde ontem, 1º de janeiro de 2024, quando todos os consumidores de alta tensão, não importando a faixa de consumo, passaram a poder escolher de quem comprar a energia elétrica.

"Nós estávamos nos preparando para isso faz tempo", explicou à MegaWhat Luiz Fernando Vianna, vice-presidente Institucional e Regulatório do Grupo Delta Energia. A preparação envolveu o lançamento da Luz e a aquisição da BestDeal Technologies em 2022. Ano passado, a empresa de soluções tecnológicas agregados em software e hardware foi "relançada" como Wisebyte, já com o desenvolvimento de um hardware para medição inteligente da Luz.

Desde ontem, todos os consumidores de energia conectados em alta tensão passaram a poder migrar para o mercado livre de energia, sendo que aqueles com consumo inferior a 0,5 MW precisam ficar debaixo de um agente varejista. A Luz, que é o braço de varejo digital da Delta, mira em 15% desse mercado, estimado em mais de 70 mil unidades consumidoras pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

>> Com investimento da Delta, LUZ une GD e varejo e traz soluções aos consumidores de energia

"Eu acho que o grande trabalho é esse consumidor entender o que é o mercado livre. Esse novo consumidor que está entrando no mercado vai entender antes que vai ter a mesma confiabilidade de abastecimento que tinha antes, o serviço do fio vai continuar sendo feito pela distribuidora", afirmou Vianna.

Para facilitar esse trabalho com os consumidores, a Luz investiu em um call center, que fará um "meio de campo" com a distribuidora. Assim, o cliente terá apenas uma fatura, e a própria Luz que vai pagar a parte da concessionária. Por meio da tecnologia, a empresa se coloca como ponto focal do consumidor. "O acrescimo de custo é residual, e o que ganhamos em oferta de serviços ao consumidor supera esse curso", explicou Vianna.

Em paralelo, a Luz continua investindo em GD, por meio de 30 fazendas solares próprias, com 110 MWp de potência instalada, localizadas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal e meta de atender cerca de 60 mil unidades consumidoras.

Assim, a Luz oferece soluções tanto para consumidores de baixa tensão, que ainda não podem migrar para o mercado livre, quanto para aqueles de alta tensão que poderão ser varejistas.

Gás e energia

Em geração centralizada, a Delta está investindo no mercado de gás natural. Em 2021, a companhia conseguiu um contrato de longo prazo para a termelétrica William Arjona, de 177 MW, no leilão de reserva de capacidade, que começará a valer em julho de 2026.

Além disso, a companhia avalia potenciais aquisições no mercado. "Mas não temos nada fechado. Estamos olhando usinas que possam participar de um leilão de reserva de capacidade", disse Vianna. 

A Delta ainda não fechou o contrato com o fornecedor de gás para William Arjona, mas tem contrato com a Bolívia para importar caso necessário. Segundo Vianna, a companhia constatou que com um maior leque de fornecedores de gás no país, pode buscar condições melhores no mercado. Além disso, o contrato é complexo, já que a usina só vai operar se for despachada.

Mais biocombustíveis

Outra área de negócio que pode crescer esse ano é a de biocombustíveis. A Delta tem duas plantas de biodisel, uma em Rio Brilhante, no Mato Grosso do Sul, com capacidade de produção de 600 mil litros por dia, e outra em Cuiabá, no Mato Grosso, com capacidade de até 1 milhão de litros por dia.

A decisão recente do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) de retomar o crescimento gradual dos mandatos de biodiesel adicionado ao diesel é uma boa notícia para a companhia, que avalia ampliar a produção das suas unidades. "Cada 1% a mais corresponde a um aumento grande na produção", disse Vianna.

Em março de 2023, o CNPE aprovou a elevação do percentual do biodiesel adicionado ao diesel de 10% para 12%, e previa que em março de 2024 o percentual subiria a 13%, chegando a 14% em 2025 e 15% em 2026. A resolução aprovada do CNPE de dezembro, contudo, antecipou a elevação a 14% para março de 2024, e 15% em 2025.