Copel lança oferta de ações que deve movimentar R$ 4,3 bilhões e resultar na sua privatização

Camila Maia

Autor

Camila Maia

Publicado

26/Jul/2023 13:21 BRT

Categoria

EmpresasMercado

A estatal paranaense Copel publicou na manhã desta quarta-feira, 26 de julho, o prospecto da sua oferta de ações, que deve movimentar R$ 4,3 bilhões e resultar em sua privatização.

A oferta envolve a emissão de 229,88 milhões de novas ações que serão emitidas pela companhia, além da venda de 319,3 milhões de ações detidas pelo estado do Paraná, acionista controlador da Copel.

Com base no valor de fechamento das ações ordinárias no pregão de 24 de julho, de R$ 7,85 por ação, a oferta primária pode levantar até R$ 1,8 bilhão para o caixa da companhia, enquanto o estado do Paraná vai embolsar R$ 2,5 bilhões com a venda. 

O montante total pode subir até R$ 5 bilhões, se consideradas as ações do lote suplementar, de 15% do total ofertado, cuja venda vai depender das condições da demanda no mercado.

Atualmente, o estado do Paraná tem 69,66% das ações com direito a voto (CPLE3) da Copel, e, ao fim da operação, sem considerar o lote suplementar, pode chegar a 32% das ações controladoras, configurando a privatização da companhia. 

A participação no capital social total, contando com as ações preferenciais, deve cair de 31% para 17%.

O cronograma da oferta prevê o fim do bookbuilding e a precificação das ações em 8 de agosto. No dia 9 de agosto, será divulgado o prospecto definitivo, e as ações passarão a ser negociadas na B3 no dia 10 de agosto.

Alerta sobre TCU

Como esperado, o prospecto da oferta veio com um alerta sobre o fato de que o Tribunal de Contas da União (TCU) ainda vai analisar as condições aprovadas pelo governo para a renovação das concessões das hidrelétricas  Governador Bento Munhoz da Rocha Netto (Foz do Areia), Governador Ney Braga (Segredo) e Governador José Richa (Salto Caxias), que somam cerca de 70% da capacidade de geração da Copel.

A outorga aprovada pelo governo é da ordem de R$ 3,7 bilhões, mas o valor e as condições ainda precisam ser confirmados pelo TCU. Segundo o prospecto, o bookbuilding (processo de coleta de ofertas no mercado) não será concluído sem a manifestação do TCU sobre o bôbus de outorga.

Além disso, se a análise do TCU não aprovar os termos aprovados pelo governo para renovação das outorgas, ou se houver uma "alteração relevante" do valor fixado, a oferta será cancelada.