Incorporação de Furnas pela Eletrobras prioriza ganhos e descarta conhecimentos, diz especialista – Edição do Dia

Thereza Martins

Autor

Thereza Martins

Publicado

15/Jan/2024 10:19 BRT

Categoria

MegaExpresso

A incorporação de Furnas pela Eletrobras representa a prioridade do ganho de eficiência financeira em detrimento da segurança de abastecimento e da operação com foco regional, avalia Clarice Ferraz, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e diretora do Instituto Ilumina.

Ao Valor Econômico, ela explica que existe uma lógica de regionalização das operações que é importante ser observada, dadas as características diferentes do setor elétrico num Brasil de dimensões continentais.

Para a diretora, a incorporação dá espaço para a perda da “inteligência regional” e de memória técnica, ao abrir mão de estruturas, recursos e acervos detidos por Furnas, com ações de redução de custos, por trás das chamadas sinergias.

A incorporação foi aprovada em assembleia de acionistas, na quinta-feira (11/1), numa sessão que durou menos de 15 minutos. Com a incorporação aprovada, os dois principais marcos do processo são a aprovação pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) da operação, com a transferência dos ativos de geração e transmissão de Furnas para a Eletrobras, e o registro da ata da assembleia geral na Junta Comercial do Rio de Janeiro.

12.660 negócios vão migrar para o mercado livre em 2024, segundo dados da Aneel

Levantamento feito pelo portal Poder 360 indica que 12.660 negócios devem migrar para o mercado livre de energia ao longo de 2024. O número representa 17,6% dos consumidores do chamado grupo A (alta e média tensão), que podem trocar de fornecedor elétrico desde o início do ano.

Os números consideram os pedidos de rescisão contratual que já foram feitos pelos consumidores às distribuidoras. Há um prazo mínimo de 6 meses para rompimento do contrato. Os dados foram disponibilizados pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

A reportagem explica que até dezembro do ano passado, comprar energia de qualquer fornecedor era uma opção restrita a grandes indústrias que consomem mais de 500 kW. A possibilidade existe desde 1996. Desde 1º de janeiro deste ano foi feita uma abertura deste mercado, autorizando os demais consumidores do grupo A.

A medida beneficia pequenas e médias empresas, como supermercados, padarias e escritórios. O potencial de adesão é bem maior. A Aneel calcula de 72.200 consumidores de média e alta tensão abaixo de 500 kW podem pedir a migração. De acordo com a Aneel, as 12.660 companhias que já solicitaram a migração consomem 866 megawatts em média por mês. Isso representa 1,3% de toda a demanda do Sistema Interligado Nacional (SIN) registrado em dezembro de 2023.

ONS: perspectivas de ENA apresentam redução 

O boletim do Programa Mensal de Operação (PMO), referente à semana operativa entre os dias 13 e 19 de janeiro, indica que a Energia Natural Afluente (ENA) segue abaixo da média do período tipicamente úmido. A revisão atual estima queda em todos os subsistemas considerando as perspectivas divulgadas para o final do primeiro mês do ano.

O subsistema Sul deve registrar o percentual mais elevado, com 97% da Média de Longo Termo (MLT), quando, na semana passada, se esperava 114% da MLT no último dia de janeiro. Para as demais regiões, a ENA deve chegar aos seguintes patamares: Norte, 73%, com previsão anterior de 75% da MLT; Sudeste/Centro-Oeste, 66%, ante 70% da MLT, e o Nordeste, 41%, ante 52%, da MLT.

Na última reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), realizada na semana passada, foram discutidas ações para a maximização de recursos para o atendimento à ponta do Sistema Interligado Nacional (SIN) para o atual cenário de hidrologia no Norte do Brasil. A região mantém um cenário de poucas chuvas desde o final de 2023, em razão do fenômeno El Nino. (Fonte: ONS)

Em busca de lítio, chinesa BYD negocia parceria ou até aquisição da Sigma Lithium

A fabricante chinesa de carros elétricos BYD vem negociando a possível aquisição de um produtor de lítio do Brasil, na corrida global para garantir matérias-primas para a revolução dos veículos elétricos.

O presidente da BYD no Brasil, Alexandre Baldy, disse que discussões ocorreram com a Sigma Lithium, avaliada em US$ 2,9 bilhões, sobre um possível acordo de fornecimento, joint venture ou aquisição.

No ano passado, a Sigma começou a enviar para a BYD o metal branco-prateado – um elemento indispensável na fabricação de baterias para veículos elétricos – de sua mina de rochas profundas e planta de processamento no estado de Minas Gerais. (Valor Econômico – com informações do Financial Times)

Carros elétricos, baterias e energia verde: nova estratégia da China para reacender guerra comercial

O jornal O Globo publicou, sábado (13/1), uma reportagem da agência Bloomberg, com destaque para o redesenho do modelo econômico chinês, que aposta no avanço da indústria de alta tecnologia para enfrentar a retração do setor imobiliário.

A reportagem explica que o novo modelo econômico traçado pelo presidente Xi Jinping para impulsionar o crescimento na próxima década aposta na indústria de alta tecnologia, com destaque para o que as autoridades chinesas chamam de os “novos três” motores do crescimento: veículos elétricos, baterias e energia renovável. A estratégia vem com o risco de iniciar uma nova onda de tensões comerciais mundo afora.

As atividades relacionadas ao setor imobiliário já responderam por um quinto da expansão econômica da China, mas se tornaram um freio ao crescimento em 2022. Até aqui, a estratégia de Xi está contribuindo para que a China evite recessões que se seguiram a colapsos do mercado imobiliário em outros países, como ocorreu no Japão nos anos 1990 e nos EUA em 2008. A segunda maior economia do mundo está crescendo num ritmo de 5% ao ano.

Rio avalia caminhos para renovação (ou não) da concessão da Naturgy

Em entrevista à Agência EPBR, o secretário de Energia e Economia do Mar do Rio de Janeiro, Hugo Leal (PSD), disse que o futuro das concessões de gás canalizado do estado começa a ser desenhado a partir deste ano.

Após o fim do impasse judicial entre a Naturgy e a Petrobras, o estado volta a ser atendido, de fato, por contratos firmes de suprimento de gás (e não mais por liminares). Olhando para o futuro, o governo fluminense se prepara para os primeiros passos da negociação pela renovação (ou não) das concessões.

Hugo Leal contou que o Rio de Janeiro aguarda uma manifestação formal da Naturgy até junho – 36 meses antes do vencimento do contrato – sobre o interesse ou não numa eventual prorrogação das concessões. “Ela pode se manifestar, e isso é um direito que a lei assiste à concessionária. E, obviamente, imagino que ela, ao longo desses próximos seis meses, vai começar a fazer uma avaliação de o que vai poder entregar, o que vai gerar de perspectiva em 2024, 2025”, explicou o secretário.

Governo vê energia nuclear como parte da transição verde e quer Angra 3 até 2028

A CNN Brasil informa que o governo federal vê a energia nuclear como parte de sua transição verde e tem atuado para integrar a fonte à matriz brasileira. O maior potencial de expansão está na usina Angra 3, que foi incluída pelo governo no Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e tem previsão de entrar em operação em 2028.

Para o Ministério de Minas e Energia (MME), além de emitir pouco, a fonte nuclear vai diversificar a matriz e trazer segurança energética — visto que sua geração é estável e não depende de fatores externos. A gestão ainda vê condições estratégicas para a fonte no Brasil, com reservas significativas de urânio e domínio tecnológico no ciclo de produção.

De acordo com dados reunidos pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a fonte nuclear representa cerca de 1,3% da matriz brasileira. Essa energia é gerada por duas usinas, Angra 1 e 2, que somam 1.990 megawatts de potência. Mundo afora, a fonte representa, em média, 5% da matriz.

A reportagem destaca que Angra 3, terceira unidade da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, no Rio de Janeiro, terá potência de 1.405 megawatts e gerará 12 milhões de megawatts-hora anualmente — suficiente para atender 4,5 milhões de pessoas. Estima-se que, com a usina, a nuclear passará a representar 3% do consumo de energia no Brasil.

Justiça autoriza prefeitura de São Paulo a monitorar veículos da Enel

A Justiça autorizou na última sexta-feira (12/1) a prefeitura de São Paulo a monitorar por GPS os veículos da concessionária de energia Enel responsáveis por atendimentos de ocorrências relacionadas a eventos climáticos na capital.

Na decisão, a juíza Gisela Aguiar Wanderley determinou que, após uma ocorrência, a empresa terá de informar quanto tempo levou para fazer o atendimento, quantas equipes disponibilizou e quais as dimensões da situação. Além disso, a Enel terá que restabelecer em 24 horas a energia de todos os clientes afetados pelas chuvas ocorridas na capital desde segunda-feira (8/1). O não cumprimento da decisão pode gerar sanções e multas para a distribuidora. (CNN Brasil)

PANORAMA DA MÍDIA

Valor Econômico: Num ano em que o déficit fiscal zero foi acordado no Orçamento e é apontado como um compromisso crucial pelos investidores e economistas do mercado financeiro, o governo não dá sinais de que irá na direção de conter as despesas para atingir a meta. Segundo fontes do Palácio do Planalto, a busca por receitas e avanços na reforma tributária estão no topo da pauta legislativa do governo para o primeiro semestre.

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O Estado de S. Paulo: Dez estados brasileiros e o Distrito Federal decidiram aumentar em até 2,5 pontos porcentuais a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) neste ano. A partir deste mês, seis unidades da federação – Ceará, Paraíba, Pernambuco, Tocantins, Rondônia e Distrito Federal – estão cobrando imposto mais elevado. Outros cinco estados – Maranhão, Bahia, Rio de Janeiro, Paraná e Goiás – se preparam para subir o ICMS até abril.

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O Globo: A estratégia de vacinação contra a dengue no país, prevista para começar em fevereiro, será norteada por uma reunião técnica hoje entre o Ministério da Saúde, a farmacêutica Takeda e entidades da sociedade civil. Face ao desafio da limitada capacidade de produção do laboratório, dois anos de recorde de mortes consecutivos pela doença e expectativa de até 5 milhões de casos em 2024, governo federal, estados e municípios tentam criar diferentes estratégias de combate à dengue.

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Folha de S. Paulo: Menos de 5% dos detentos que tiveram o direito à saidinha no Natal no fim de 2023 não retornaram aos presídios no Brasil. Levantamento realizado pela Folha a partir de informações das secretarias estaduais responsáveis pelo sistema penitenciário mostra que 56.924 presos tiveram o benefício concedido pela Justiça em 18 unidades da federação. Destes, 2.741 não regressaram (4,8% do total).