Subsídio na conta de luz dobra em cinco anos e acende alerta sobre sistema de pagamento – Edição do Dia

Thereza Martins

Autor

Thereza Martins

Publicado

17/Jan/2024 10:39 BRT

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MegaExpresso

O total de subsídios pagos na fatura de energia elétrica quase dobrou em cinco anos. Entre 2018 e 2023, o valor acumulado por ano aumentou de R$ 18,8 bilhões para R$ 37,4 bilhões, segundo números do “subsidiômetro”, ferramenta de cálculo da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), informa o Valor Econômico.

A reportagem explica que a disparada das subvenções, a maioria como encargo da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), já despertava preocupações entre especialistas do setor, e agora começam a surgir alertas sobre o risco do sistema de pagamento entrar em colapso. O ponto é que os subsídios colocam à prova a capacidade do mercado cativo, segmento tradicional de consumo constituído pelas distribuidoras, de honrar esses compromissos financeiros.

“O problema é que se não tomarmos providências amplas agora, vamos ter uma megacrise até 2026 ou 2027”, diz Luiz Eduardo Barata, presidente da Frente Nacional de Defesa dos Consumidores de Energia. No ano passado, o maior valor de subsídio foi para aliviar o custo da operação de térmicas para os consumidores dos sistemas isolados, alcançando R$ 10,3 bilhões. Em seguida, aparecem gastos com benefícios para fontes incentivadas (R$ 10 bilhões) e geração distribuída (R$ 7,1 bilhões).

Os alertas consideram o desequilíbrio na partilha dos custos dentro do setor e a ausência de justificativa plausível para manter alguns benefícios, além do risco de a situação se agravar se houver a criação de novos subsídios.

Barata chama atenção para a fuga de consumidores dos contratos com distribuidoras para comercializadoras de energia no mercado livre, que permite a escolha do fornecedor.

Governo estuda subsídio para a conta de luz, diz Silveira

O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está estudando um modelo de subsídios para dirimir o impacto da transição energética na conta de luz, afirmou o ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia), que está em Davos, na Suíça, para vender o Brasil como uma potência dos combustíveis verdes.

"Nós estamos estudando alternativas", disse Silveira à Folha de S. Paulo. Lula tem criticado de forma recorrente a diferença entre os valores pagos pelos grandes consumidores (empresas) no mercado livre de energia, menores que aqueles com que arca o consumidor comum.

"Não quero chamar de subsídio, eu quero chamar de como nós vamos financiar o impacto que a transição energética terá na conta de luz, e como nós vamos poder continuar a financiar de forma tal que nos abra espaço para continuar avançando na transição sem perder vigor na economia", afirmou.

Em Davos, Silveira cobra investimentos de países ricos na transição energética

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse ontem (16/1), durante painel do Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suiça, que os países ricos devem investir na transição energética e que o Brasil terá a oportunidade, durante a presidência do G20, de cobrar as nações desenvolvidas que coloquem recursos no setor.

"Eu acredito que o G20 nos dará a oportunidade de, mais uma vez, de fazer uma cobrança terna, mas severa, dos países industrializados e dos países ricos que reiteradamente se comprometem em investir em transição energética, em investir em emissão de baixo carbono, mas esse discurso está muito distante de se tornar uma realidade", avaliou. (portal Terra – com informações da agência de notícias Reuters)

Brasil está pronto para receber investimentos em energia renovável, diz Marina Silva em Davos

Durante o Fórum Econômico Mundial realizado em Davos, na Suíça, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, enfatizou a necessidade premente de acelerar os investimentos em energias renováveis para mitigar os impactos das mudanças climáticas.

O apelo veio em um painel nesta terça-feira (16/1) que contou também com a participação do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e da ministra da Saúde, Nisia Trindade. Marina Silva ressaltou a importância de os países ricos liderarem esses investimentos, destacando o conceito de responsabilidades compartilhadas, mas proporcionais nos esforços para combater as mudanças climáticas. Ela sublinhou a necessidade de uma abordagem global e colaborativa para enfrentar o desafio ambiental. (Agência CMA)

Indústria brasileira enfrenta desafios para promover transição energética

Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo indica que a transição energética no Brasil representa tanto desafios quanto oportunidades para a indústria, que consome cerca de 30% da energia do país, de acordo com relatório da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

A reportagem destaca que, embora 80% da energia consumida seja de fontes limpas, a competição global, especialmente da China, Estados Unidos e Europa, exige constante inovação. O economista Rafael Cagnin, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), alerta para o risco de acomodação diante da vantagem atual. A descarbonização da indústria, estimada em R$ 40 bilhões até 2050 pela Confederação Nacional da Indústria, enfrenta obstáculos como altas taxas de juros e escassez de financiamento em longo prazo.

Governador de São Paulo diz ser contrário à renovação da concessão da Enel

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, disse ser contrário à renovação do contrato de concessão da Enel após as falhas no fornecimento de energia elétrica em São Paulo.

Segundo informações da repórter Maju Arruda Leite, da Rádio Bandeirantes, Tarcísio de Freitas endossou as críticas do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes, à empresa. “A gente não pode ter uma empresa que a cada chuva deixa o paulistano e o morador da região metropolitana na mão. A gente não vê uma preparação da empresa para enfrentar essa situação”, afirmou o governador.

Ainda segundo Tarcísio de Freitas, a sucessão de problemas indica que foram insuficientes os investimentos da Enel na “resiliência” da rede, em manutenção e mapeamento de pontos críticos. O governador defendeu que que se estabeleçam novos parâmetros de regulação da concessão pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) quando for discutida a renovação ou não do contrato com Enel, em 2028.

Após apagões em São Paulo, Haddad recebe CEO global da Enel

O ministro Fernando Haddad (Fazenda) recebeu ontem (16/16), executivos do alto escalão do grupo Enel e da Embaixada da Itália, depois de apagões recorrentes no fornecimento de energia elétrica na região metropolitana de São Paulo nos últimos meses. A comitiva foi liderada pelo CEO global do conglomerado, Flavio Cattaneo.

Na reunião com Haddad, o CEO global esteve acompanhado do head da Enel Américas, Alberto de Paoli; do novo presidente da Enel Brasil, Antonio Scala; e do presidente do conselho da Enel , Guilherme Lencastre. Também participaram da reunião o embaixador da Itália no Brasil , Alessandro Cortese, e o chefe do departamento comercial da embaixada, Davide Castellani.

A Enel pretende usar a agenda para apresentar seu "objetivo de permanente melhoria" da prestação de serviços, "sobretudo na distribuição de energia elétrica". (blog Radar, da revista Veja)

Fundo de BNDES e Vale é avanço em disputa global 

Reportagem do Valor Econômico destaca que as tratativas entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Vale para constituir, nos próximos meses, um fundo de investimento que vai financiar projetos de minerais críticos são uma etapa importante na corrida global por essas matérias-primas nas quais o país está bem posicionado, mas não é o único competidor.

Um memorando de entendimentos sobre a criação do fundo deve ser assinado em fevereiro para o lançamento do novo mecanismo de financiamento até o fim do primeiro semestre de 2024, disse José Luis Gordon, diretor de desenvolvimento produtivo, inovação e comércio exterior do BNDES: “O fundo está conectado com o projeto de neo-industrialização (do governo) e é voltado para pesquisa e exploração mineral”, afirma.

O avanço nas discussões sobre o fundo foi noticiado, na semana passada, pelo Pipeline, site de negócios do Valor. As estimativas de mercado são de que o fundo receba até R$ 2 bilhões para apoiar projetos de minerais críticos, aplicados em especial aos setores de tecnologia e de energias renováveis.

O Pipeline antecipou que a mineradora pode aportar R$ 50 milhões no fundo e servir como “âncora” para a entrada de outros investidores. BNDES e Vale não falam das cifras do fundo, cujas conversas se desenrolam há quase um ano.

Em nota, a Vale afirmou: “A Vale e o BNDES vêm mantendo conversas para colaborar na estruturação de um fundo de capital que apoie a exploração e produção de minerais estratégicos no Brasil. A iniciativa está alinhada à estratégia da Vale, que busca desenvolver seu negócio de metais de transição energética, além de contribuir para a neoindustralização do país, baseada na indústria de baixo carbono.

Por que analistas do Itaú BBA cortaram o preço-alvo das ações da Eletrobras

A equipe de equity research do Itaú BBA cortou o preço-alvo para a ação ordinária da Eletrobras (ELET3) de R$ 61,60 para R$ 53,50 no fim de 2024, mantendo, contudo, a recomendação “outperform” (equivalente à compra), de acordo com informação da Bloomberg Linea Brasil.

O banco de investimento vê como principais riscos a disputa sobre votos no Supremo Tribunal Federal (STF) e as questões relacionadas aos preços de energia. Ontem (16/1), a ação recuava mais de 3% por volta das 14h30, pouco acima dos R$ 42. Isso representa um upside – potencial de alta – de cerca de 27% sobre o preço atual.

Em relatório divulgado ontem, analistas do Itaú BBA liderados por Marcelo Sá apontaram como um dos riscos para a tese de investimento um resultado desfavorável da disputa sobre direitos de voto da União, atualmente em andamento no STF. O governo federal contesta trechos da lei de desestatização da Eletrobras que diminuíram seu poder de voto na empresa.

ANP estabelece especificações técnicas das correntes de petróleo a partir de dezembro de 2023

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) estabeleceu as especificações técnicas das correntes de petróleo (SEI nº 3680718), com data efetiva a partir do mês de produção de dezembro de 2023, usadas para fins de apuração do Preço de Referência do Petróleo (PRP), nos termos do art 7º da Resolução ANP nº 874, de 18 de abril de 2022. A tabela contendo as especificações técnicas das correntes de petróleo será disponibilizada na página da ANP na internet (www.anp.gov.br). (portal Petróleo Hoje)

Tempestade perfeita favorece uso da energia nuclear, diz agência da ONU à Folha

O estabelecimento do senso de emergência climática no planeta e a insegurança energética decorrente da Guerra da Ucrânia criaram um novo momento para o uso da matriz nuclear, que completa 70 anos de operação comercial em junho. "Na política energética, muitas vezes faz falta que as estrelas se alinhem. No caso da energia nuclear, há uma espécie de tempestade perfeita", afirmou à Folha de S. Paulo o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi.

"Por um lado, há o tema da mudança climática, a necessidade de os países responderem às necessidades do Acordo de Paris (para controle de emissões de carbono). E a isso se somou a guerra, uma preocupação muito forte sobre a segurança energética, principalmente na Europa", disse.

Orizon mira em biometano para elevar receitas em aterros

O Valor Econômico informa que a Orizon Valorização de Resíduos planeja ampliar a transformação de seus aterros em ecoparques, uma espécie de hub de transformação de resíduos com centrais de reciclagem, captação de biogás, produção de combustível, planta de fertilizante e um aterro.

A reportagem explica que esse modelo tem algumas linhas de negócios, como destinação correta de resíduos, economia circular e plantas de biogás e biometano. Desde que promoveu o seu IPO (sigla em inglês para oferta pública inicial de ações), em 2021, a companhia vem desenvolvendo outras aplicações para o lixo recebido, e aponta o gás natural renovável como o principal vetor de crescimento.

Hoje a Orizon faz o manejo de 9 milhões de toneladas por ano, pouco mais de 11% do lixo produzido no Brasil. Para 2024, a empresa analisa a possibilidade de adquirir oito aterros. Caso essas compras se concretizem, a empresa deve adicionar 2 milhões de toneladas de resíduos por ano à sua gestão, além da possibilidade de novos projetos de biometano.

Shell suspende tráfego de petróleo no Mar Vermelho com intensificação de conflito

A Shell suspendeu todos os carregamentos que passam pelo Mar Vermelho após os ataques da coalizão liderada pelos Estados Unidos contra rebeldes houthis, no Iêmen, aumentarem temores de escalada nos conflitos na região.

No mês passado, um navio contratado pela Shell para transportar petróleo produzido na Índia foi alvo de um ataque de drones na região e alvejado por botes com rebeldes, de acordo com autoridades marítimas. (Valor Econômico – com informações da agência Dow Jones)

Vaga em concurso da Petrobras tem mais disputa que Medicina na USP

Se o concurso para novas contratações de nível técnico da Petrobras fosse um vestibular, ele seria mais disputado que o de medicina da USP (Universidade de São Paulo), um dos mais concorridos do país, de acordo com a Folha de S. Paulo.

A petroleira recebeu, até segunda-feira (15/1), 99.400 inscrições para 916 vagas imediatas — média de 108 candidatos por vaga. Desse total, a companhia fará ainda reserva de cadastro de outros 5.946 selecionados.

Em 2023, o vestibular da Fuvest, que escolhe alunos para a USP, contou com 99.573 inscritos. Cada vaga para o curso de medicina foi disputada por 101 alunos (24.749 inscritos para 244 vagas distribuídas em três cidades). A média por vaga de medicina na USP só superou o concurso da Petrobras para quem pretendia estudar na escola em São Paulo (118 candidatos por vaga). Para quem preferiu ficar em Ribeirão Preto e Bauru, essa média foi de 87 e 63, respectivamente.

PANORAMA DA MÍDIA

Valor Econômico: Subsídio na conta de luz dobra em cinco anos e acende alerta sobre sistema de pagamento. O resumo da reportagem encontra-se na aberta desta edição do MegaExpresso.

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O Estado de S. Paulo: Planalto trabalha para colocar Mantega no conselho da Vale. O Planalto articula para que o ex-ministro Guido Mantega, titular da Fazenda entre 2006 e 2014, integre o conselho de administração da Vale, empresa privatizada há 26 anos. Mantega ocuparia um dos assentos reservados à Previ, fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil. O arranjo ocorre às vésperas da sucessão na Vale. No fim deste mês, o conselho vai decidir se o atual presidente, Eduardo Bartolomeo, continua no cargo até abril de 2025.

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Folha de S. Paulo: Renda da elite do país cresce o triplo da dos outros brasileiros. A renda de 15 mil pessoas pertencentes ao topo da pirâmide social no Brasil cresceu nos últimos anos até o triplo do ritmo observado entre o restante da população, elevando a concentração da riqueza ao fim do governo Jair Bolsonaro (PL). Entre essa elite, que representa 0,01% da população, o crescimento médio da renda praticamente dobrou (96%) entre 2017 e 2022. Enquanto isso, os ganhos da imensa maioria da população adulta (os 95% mais pobres) não avançaram mais do que 33% — pouca coisa acima da inflação do período (31%).

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O Globo: Contra evasão do Enem, governo vai dar auxílio a quem fizer a prova. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou, nesta terça-feira, o projeto de lei que cria uma bolsa permanência para estudantes de baixa renda do ensino médio.