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Novas plataformas devem ampliar produção da Petrobras em 100 mil bpd

Estatal espera chegar ao final de 2025 com produção de 2,8 milhões de barris de óleo equivalente por dia

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Com novas plataformas entrando em operação, Petrobras espera ampliar sua produção mesmo com declínio natural de alguns campos

Ao longo de 2025, a Petrobras planeja iniciar a operação de três novas plataformas, que devem ampliar sua capacidade de produção, enquanto novas unidades que iniciaram a operação em 2024 devem entrar em ramp-up. Assim, a companhia almeja incrementar sua produção em 100 mil barris de petróleo por dia, alcançando uma média total de 2,8 milhões de barris de petróleo por dia em 2025.

“Só lembrando que trabalhamos com uma energia não renovável cuja tendência é de declínio, e o que nós estamos trazendo aos senhores aqui é que mesmo produzindo muito, mesmo enfrentando tendências de declínio, o que nós pretendemos anunciar para vocês, no fim do ano de 2025, é um aumento de produção”, disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, durante teleconferência sobre os resultados da companhia no quarto trimestre de 2024.

Em fevereiro, a estatal iniciou a operação do FPSO Almirante Tamandaré, que chegou ainda em 2024 ao campo de Búzios. Ao longo do ano, deve começar a operar as plataformas P-78, também no campo de Búzios, e Alexandre de Gusmão, no campo de Mero. Em 2024, a Petrobras iniciou as atividades dos FPSOs Maria Quitéria (campo de Jubarte) e Marechal Duque de Caxias (campo de Mero).

Na teleconferência para acionistas, Chambriard também ressaltou que, ao longo de 2024, a Petrobras aumentou suas reservas comprovadas. “Ao longo de 2024, nós produzimos 900 milhões de barris de petróleo. E nós repusemos 1,2 bilhão de barris de reservas. Ou seja, produzimos 900 milhões de barris e repusemos tudo isso com sobra”, disse.

Os projetos estavam atrasados

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Os cronogramas das plataformas Almirante Tamandaré e Maria Quitéria foram antecipados em relação ao inicialmente planejado pela companhia. Com isso, os investimentos de 2024 atingiram US$ 16,6 bilhões. O valor é superior a uma revisão de investimentos divulgada pela estatal em agosto de 2024, que baixava o teto de US$ 18,5 bilhões para US$ 14,5 bilhões.

A atual diretoria da estatal, que assumiu a gestão em junho de 2024, explica que a revisão ocorreu porque avaliações preliminares apontavam atraso nos projetos e, por isso, havia incerteza sobre a capacidade de cumprir os investimentos previstos.

“Quando a gente assumiu a diretoria junto com a presidente Magda, diretora Silvia, a gente viu que os projetos estavam praticamente todos atrasados. E o que a gente fez foi um esforço hercúleo para recuperar o atraso, principalmente da P-78 e da P-79 [que deve entrar em operação em 2026]”, explicou a diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação, Renata Baruzzi.

“Talvez tenhamos sido drásticos na expectativa de realização quando chegamos aqui”, reconhece Chambriard.

Margem Equatorial

A diretoria da Petrobras se disse confiante quanto à aprovação da licença ambiental para exploração na Foz do Amazonas, na Margem Equatorial. Segundo a empresa, foram investidos cerca de R$ 150 milhões para garantir prontidão na resposta no caso de algum acidente.

“Não tem o mundo com a prontidão de resposta como a gente está colocando lá”, disse a diretora de Assuntos Corporativos da estatal, Clarice Coppetti. Segundo a diretora, a Petrobras aguarda o posicionamento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) sobre a parte final do projeto da estatal, que compreende uma nova base de atendimento mais próxima da região ondem podem ocorrer as atividades exploratórias.

Questionada por jornalistas sobre uma notícia do jornal O Globo de que a área técnica do Ibama recomendou negar a licença, a diretoria da estatal respondeu que não encontrou nos sistemas do Ibama tal avaliação. Por isso, a empresa segue aguardando o posicionamento do órgão ambiental.

“A gente está muito confiante também na análise dos nossos técnicos e também na análise dos técnicos do Ibama”, disse Coppetti, ponderando que após o posicionamento técnico ainda há “um longo caminho” dentro do Ibama até o parecer final do Instituto.

Durante a teleconferência com investidores e acionistas, a presidente da estatal, Magda Chambriard, revelou que o movimento de servidores do Ibama teve um impacto na produção da estatal de 208 mil barris de petróleo por dia. A executiva lembrou que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) também teve impacto na operação da empresa, mas que foi menor.