Conexão

Potência de novas usinas autorizadas para conexão cai 43% em 2024

Mercado livre de energia em expansão / Crédito: JF
Crédito: JF

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) contabilizou 31,65 GW em potência instalada total de novos empreendimentos de geração autorizados para conexão ao Sistema Interligado Nacional (SIN) em 2024. O montante representa uma redução de cerca de 43% em relação ao total de pareceres emitidos em 2023, de 55,92 GW.

Segundo relatório anual de 2024 do ONS, a exigência de garantia financeira para solicitação de acesso gerou uma redução significativa do número de empreendimentos de geração, além do cancelamento de solicitações em subestações com margem nula.

Em 2024, foram 623 novos empreendimentos de geração com parecer de acesso emitido, frente à 1.234 em 2023. Em um mesmo parecer, o operador aponta que pode ocorrer agrupamento de centrais geradoras.

Para os novos projetos de 2024, foram emitidos 494 pareceres, representando 116 agentes geradores.

Conexão de grandes consumidores

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Em seu relatório, o operador aponta que o tratamento adequado dos acessos de grandes consumidores é fundamental para assegurar que a expansão da infraestrutura de transmissão acompanhe o crescimento da demanda e a diversificação da matriz energética.

Em 2024, o ONS recebeu 27 novos pedidos de acesso para conexão de consumidores livres ao sistema de transmissão, uma alta de cerca de 285% em relação ao ano anterior. A maior parte das solicitações veio de plantas de hidrogênio de baixo carbono e data centers e que, juntas, somaram 81% do total de pedidos recebidos em 2024 e uma demanda de cerca de 10 GW no horizonte até 2029.

Agentes têm pedido junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a fiscalização e a transparência do operador nas regras para emissão dos pareceres. Com pedidos negados, mas com fiscalização encaminhada, estão os pedidos dos consórcios REC Bandeirantes (data centers) e da Fortescue (amônia e hidrogênio verdes).

Conexão renovável e curtailment

Por meio do mecanismo de anistia e regularização, o chamado ‘dia do perdão’, em 2024, o ONS contemplou 175 empreendimentos de geração de energia renovável para ocupar o espaço liberado na rede de transmissão, totalizando 7,9 GW.

Desses projetos atendidos pela margem extraordinária, 3,53 GW estão no Sudeste e 4,37 GW no Nordeste.

Sobre a confiabilidade do sistema, o ONS aponta que “diante do desafio de minimizar os impactos” tem liderado uma agenda estruturante para aprimorar a gestão.

A medida, no entanto, é listada pelo operador como essencial para a segurança operativa do sistema, ajustando a geração de energia à demanda do país e à capacidade da rede de transmissão, evitando sobrecargas e promovendo a estabilidade do fornecimento.

“A atuação do ONS busca reforçar a eficiência e a resiliência do setor elétrico brasileiro. Uma das medidas operacionais traçadas em 2024 foi o by-pass (desvio) do banco capacitor de série (BPS) nas linhas de transmissão de Barreiras e Rio das Éguas, na Bahia, a fim de preservar a transmissão em caso de perda de uma das linhas”.

Outra estratégia adotada pelo operador para reduzir o curtailment, foi a instalação de compensadores síncronos em pontos estratégicos da rede. A ideia é instalar três desses equipamentos no Rio Grande do Norte, ampliando a capacidade dessa região suportar perturbações na transmissão.

As estratégias de operação complementam o trabalho junto do MME, Aneel, EPE e CCEE na busca por soluções que mitiguem os impactos das restrições de geração.

Resiliência em novas rotas

Para aumentar a resiliência do sistema elétrico e da segurança energética na região Norte, o ONS iniciou em 2024 a avaliação de propostas para a definição de procedimentos que possibilitam a retomada rápida, simultânea e independente de centros de carga, reduzindo ao máximo o tempo de interrupção.

Segundo o ONS, a previsão é que o trabalho seja concluído em 2025, com a definição final desses corredores de recomposição, buscando otimizar o processo de restabelecimento do sistema em caso de futuras perturbações.

Confira a íntegra do relatório anual do ONS.

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