
Com a evolução rápida do mercado de geração distribuída de energia (GD) e descasamento da demanda com a oferta de energia elétrica, o sistema elétrico precisa ser revisto, em especial as políticas de subsídios. Essa é a opinião do diretor-presidente da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Sandoval Feitosa, que participou de evento organizado pela Bloomberg NEF na terça-feira (1/4).
Entre as tendências para o setor estão novos modelos em energia solar distribuída e eficiência energética com base em inteligência artificial e internet das coisas.
“O sistema elétrico tem que ser completamente redesenhado”, afirmou Feitosa. Ele ressaltou que, apesar de o sistema elétrico brasileiro ter uma matriz limpa e com aumento significativo de fontes solar e eólica, o fato de elas serem intermitentes e as baterias ainda não serem uma realidade consolidada, o país está contratando mais térmicas a gás.
“Estamos adicionando mais renováveis (eólica e solar especialmente) na matriz energética, mas não estamos fazendo a transição energética porque também estamos contratando mais térmicas a gás no próximo leilão”, comentou. As térmicas são usadas para elevar a segurança energética do sistema, por ser uma solução mais “confiável, flexível e rápida” para ser acionada em caso de necessidade.
Outro tema abordado por Sandoval Feitosa são os subsídios oferecidos ao setor. No entender do presidente da Aneel, os subsídios aos investimentos em geração renovável deveriam ser revistos, por estarem distorcidos e influenciarem a dinâmica de demanda e de preço da energia elétrica. Para ele, não faz sentido o país direcionar volumes consideráveis de subsídios para geração eólica e solar, inclusive, para geração distribuída e, ao mesmo tempo, gastar com térmicas para trazer segurança ao sistema. “A lógica não bate”, afirmou.
“O Brasil precisa decidir o que quer”, acrescentou. Feitosa explica que esses recursos foram direcionados, até hoje, a incentivos tecnológicos, necessários no início do desenvolvimento dessas tecnologias para a escala do segmento de renováveis.
Agora, porém, é preciso rever o modelo estrutural, já que essas tecnologias já baratearam. Como exemplo, ele citou a queda de 80% do preço dos painéis solares, que tornou a modalidade mais acessível a pequenos consumidores de energia. (Valor Econômico)
Leilão mais aguardado do ano pelo setor elétrico é cancelado
A Agência Eixos informa que o ministro de Minas e Energia (MME), Alexandre Silveira, vai revogar ainda hoje (4/4) a portaria do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) 2025, previsto para 27 de junho. A decisão foi tomada diante da disputa judicial entre agentes de diferentes perfis.
Na sequência, o Ministério pretende abrir consulta pública com diretrizes para um novo certame. A pasta acredita que, com ajustes de prazos, será possível realizar a concorrência este ano. De acordo com a reportagem, o MME cogita derrubar os produtos de mais curto prazo do LRCAP 2025.
Aneel inclui projetos atrasados de transmissão de energia em novo leilão
A Folha de S. Paulo informa que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu incluir em leilão marcado para outubro cinco obras de linhas de transmissão que ainda têm donos e contratos vigentes. De acordo com a reportagem, a agência escolheu se antecipar e dar uma solução a projetos que estão com problemas graves de atraso.
Entre os trechos que serão oferecidos no dia 31 de outubro estão projetos leiloados em 2021, mas que, até hoje, não tiveram nenhum metro de linha instalada. Esses cinco lotes foram vencidos pela Mez Energia, empresa que pertence à família Zarzur, fundadora da construtora e incorporadora imobiliária EZTec.
Tomaz Guadagnin assume presidência da TAG
A Transportadora Associada de Gás (TAG) anunciou Tomaz Guadagnin como seu novo diretor-presidente em substituição a Gustavo Labanca. Após seis anos no cargo, Labanca vai retornar à Engie, dona de 50% da TAG, como diretor de Negócios de Infraestrutura do grupo francês no Brasil. (Agência Eixos)
Ricardo Mussa fala sobre saída da Raízen, etanol de milho e próximos passos
Em entrevista ao portal Money Times, o executivo Ricardo Mussa, ex-CEO da Raízen, falou sobre sua saída do comando da companhia em novembro de 2024. Ele se referiu a Raízen como uma super empresa e disse ter um carinho enorme pela companhia. Mussa ressaltou que houve uma mudança no momento do mercado, que exigia uma outra postura para o grupo Cosan.
“Eu tenho uma admiração enorme pelo Rubens Ometto e pelos executivos que estão lá. Só tenho coisas boas para falar, mas foi uma questão de momentos diferentes que a companhia vive, um cenário de juros mais altos em que a necessidade pela parte de sustentabilidade e os prêmios diminuíram”.
Ele disse ainda que o ciclo da companhia “já estava completo e a própria Cosan está passando por um momento de reestruturação e redução de dívida. Acho que foi um bom timing”.
Programa de reciclagem da Enel gera mais de R$ 700 mil em descontos na conta de luz
O Ecoenel, programa de sustentabilidade da Enel São Paulo, gerou mais de R$ 700 mil de desconto na conta de luz de 2.700 clientes em 2024, com a reciclagem de 2,3 mil toneladas de resíduos. A iniciativa, que dá descontos na fatura de energia em troca de materiais recicláveis, contou com a participação de moradores dos 24 municípios da região metropolitana.
Atualmente, há nove ecopontos espalhados pela área de concessão da distribuidora. É possível consultar os endereços dos sete ecopontos em operação no site da Enel. (Folha de S. Paulo)
PANORAMA DA MÍDIA
Valor Econômico: O mercado de ações dos Estados Unidos teve ontem (3/4) o pior pregão desde março de 2020, no dia seguinte ao tarifaço anunciado pelo presidente Donald Trump. A imposição das taxas recíprocas pelo governo americano intensificou os temores de recessão nos EUA e desaceleração expressiva da economia global, combinadas à alta da inflação.
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Folha de S. Paulo: As ações mundiais, o dólar e o petróleo despencaram nesta quinta-feira (3/4), à medida que as novas tarifas comerciais dos EUA, impostas por Donald Trump, geraram temores generalizados de uma recessão global e levaram investidores a buscar títulos seguros e o iene. A nova tarifa básica de 10% sobre bens importados, além de algumas taxas adicionais “recíprocas” sobre dezenas de países que Trump afirmou terem barreiras comerciais injustas, deixou os comerciantes claramente abalados por sua severidade.
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O Estado de S. Paulo: A China anunciou que vai impor tarifas de 34% a todos os bens importados dos Estados Unidos, em resposta ao tarifaço anunciado pelo governo de Donald Trump na quarta-feira, 2.
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O Globo: Apesar de o Brasil ter escapado de taxas maiores impostas por Donald Trump no novo tarifaço, setores industriais têm acendido o alerta sobre os efeitos colaterais da medida por aqui. A avaliação é que o fechamento do mercado americano para países asiáticos deve fazer do Brasil um destino alternativo, o que pode inundar o país com concorrência mais acirrada em setores como calçados, roupas e máquinas.