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OnCorp planeja GNL de cabotagem e participação no LRCap e Sistemas Isolados

Empresa que controla UTE Xavantes planeja participar do leilão de reserva de capacidade com projetos a gás e biocombustível

João Guilherme Mattos, diretor-executivo da OnCorp
João Guilherme Mattos, diretor-executivo da OnCorp

A OnCorp planeja implementar um modelo inovador de gás natural liquefeito (GNL) de cabotagem no terminal de regaseificação de Suape, em Pernambuco, e deve participar do leilão de reserva de capacidade (LRCap) com “mais de quatro” empreendimentos a gás natural e biocombustíveis, disse à MegaWhat o diretor-executivo da OnCorp, João Guilherme Mattos.

Entre os empreendimentos sob controle da OnCorp, estão a térmica Xavantes, localizada em Goiás com 53,6 MW de potência, as Centrais Elétricas da Paraíba (Epasa), formadas pelas UTEs Termonordeste e Termoparaíba, que somam 342 MW de potência e usinas híbridas em sistemas isolados, combinando geração térmica e fotovoltaica com soluções de armazenamento. A OnCorp também é a responsável pelo terminal de regaseificação de Suape, em Pernambuco, que deve começar a operar no quarto trimestre de 2026.

Participação nos leilões

Para os empreendimentos de geração, a companhia se prepara para participar do leilão de reserva de capacidade (LRCap) previsto para junho deste ano, com “mais de quatro” projetos movidos a biodiesel e gás natural. A UTE Xavantes opera a óleo diesel e está descontratada desde janeiro de 2024, quando seus contratos no mercado regulado venceram.

As UTEs Termonordeste e Termoparaíba operam a óleo diesel ou óleo combustível sob disponibilidade do Operador Nacional do Sistema (ONS). Como o certame só aceita térmicas a gás natural ou biocombustíveis, nenhuma das três usinas poderá participar do certame, a menos que haja conversão das plantas.

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João Guilherme Mattos não confirma a estratégia da OnCorp nem quais empreendimentos participarão do leilão, mas indica que a contratação a biocombustível pode ter boa competitividade. “É uma oportunidade para que térmicas, principalmente existentes, possam continuar no sistema. São térmicas já amortizadas que vão ser super competitivas”, disse.

Ele avalia que o biocombustível também pode ser competitivo para novos projetos, apesar da volatilidade do preço do biodiesel. O executivo calcula que, por usarem motores em vez de turbinas, estes projetos poderão ter Capex menor do que novos projetos a gás. Ele também lembra que há pouca disponibilidade na indústria para a entrega de novas turbinas dentro do prazo do leilão.

Além do LRCap, a OnCorp deverá participar do leilão de suprimento a sistemas isolados, que exige participação mínima de 22% de fontes renováveis, com ou sem soluções de armazenamento. A companhia já tem usinas nesta configuração, com geração térmica e fotovoltaica acompanhada de baterias. Assim, as baterias maximizam a geração fotovoltaica, liberando energia depois que o sol se põe, e a geração térmica entra quando há necessidade.

Terminal de regaseficação de Suape

Além das usinas próprias, outro empreendimento da OnCorp deverá estar envolvido no LRCap. João Guilherme Mattos conta que outras térmicas podem usar como insumo o GNL que chegar pelo terminal de regaseificação de Suape. “Eu tenho informação de que vários projetos estão concorrendo com o terminal”, disse.

O terminal implementa um novo modelo no país ao oferecer apenas a infraestrutura de regaseificação, sem vínculo com a molécula ou com térmicas. No esquema, a molécula será fornecida por carregadores, e o terminal entrará apenas com a infraestrutura de regaseificação, que tem conexão com a malha da Transportadora Associada de Gás (TAG).

“É o primeiro terminal multiuso do Brasil, em que o dono da infraestrutura do terminal não é o dono da molécula nem da térmica, e sim um player que colocou a infraestrutura para ser compartilhada por mais de um usuário”, resume João Guilherme Mattos. Assim, no caso do LRCap, as usinas devem ter contratos para as moléculas com os carregadores, mas a OnCorp precisou declarar que o gás passaria por sua infraestrutura.

O terminal deve entrar em operação no quarto trimestre de 2026 com sua capacidade totalmente contratada. Um dos clientes é a Shell, que já tem pelo menos um contrato de fornecimento para a Termopernambuco, da Neoenergia. Enquanto as operações do terminal não começam, o fornecimento à Termopernambuco está sendo feito pela Eneva, segundo Mattos. Ele não revelou quem é o segundo carregador de GNL.

Além da conexão com a rede da TAG, a OnCorp planeja oferecer infraestrutura para GNL de pequena escala (small scale) pela via rodoviária e de cabotagem – este último, uma novidade no país. “Você tem essa operação na Europa, mas a gente já viu que pode ser uma operação viável [no Brasil], principalmente considerando alguns nichos de mercado que tem num raio de 60 quilômetros do terminal”, explicou Mattos. Já o GNL Small Scale por rodovias é um modelo que já existe no Brasil por players como Eneva e VirtuGNL, que têm a joint-venture GNL Brasil.

Eventuais conexões com a rede da Companhia Pernambucana de Gás (Copergás) também podem acontecer, mas depenem da participação dos carregadores em chamadas públicas da distribuidora.

Com investimentos totais estimados em R$ 2 bilhões para todo o período de contrato com o porto de Suape, que vai até o final de 2047, a OnCorp calcula o Capex do projeto em R$ 350 milhões. Destes, R$ 30 milhões já foram investidos nas obras do cais de múltiplos usos (CMU) do porto. Em 2026, entram os equipamentos eletromecânicos – que, segundo Mattos, correspondem a cerca de 60% do total do Capex.

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