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Agentes aprovam orçamento para implementação de nova governança na CCEE

Os associados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) aprovaram, em assembleia realizada nesta terça-feira, 6 de fevereiro, os orçamentos de R$ 12,08 milhões para implantação da sua nova governança, e de R$ 2,54 milhões para o desenvolvimento da plataforma de certificação de energia renovável.

Notas de real. Agência busca empresa para aplicação de multa.
Multa

Os associados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) aprovaram, em assembleia realizada nesta terça-feira, 6 de fevereiro, os orçamentos de R$ 12,08 milhões para implantação da sua nova governança, e de R$ 2,54 milhões para o desenvolvimento da plataforma de certificação de energia renovável.

A aprovação foi por maioria dos votantes. Esses valores se somam ao orçamento da CCEE aprovado em novembro para 2024, chegando a R$ 286 milhões, aumento de mais de 30% em relação aos valores liberados para 2023. Desconsiderando as despesas adicionais por investimentos tecnologicos por atribuiões da CCEE e os valores aprovados hoje, o aumento seria de 6%, em linha com o INPC do período.

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O presidente do conselho da CCEE, Alexandre Ramos, agradeceu o diálogo permanente com os associados. “A confiança depositada em nós, a disposição e a abertura para discutir temas que precisam de aprimoramento são fatores imprescindíveis para a boa performance do mercado”, disse.

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A nova governança

A mudança na governança da CCEE foi determinada pelo Decreto 11.835, publicado em 21 de dezembro. A MegaWhat apurou que a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel) recomendou aos seus associados que votassem contra a aprovação do orçamento para a nova governança, a fim de marcarem posição contra o decreto, já que o mercado avalia que as regras deram um poder desproporcional ao governo na CCEE, apesar de ser esta uma entidade de direito privado, sem fins lucrativos e com custos suportados pelos agentes, e não pela União. 

Atualmente, a gestão da CCEE é responsabilidade de cinco conselheiros. A presidência, que atualmente é ocupada por Alexandre Ramos, é indicação do governo. Grupos formados por comercializadores, distribuidores e geradores indicam um conselheiro cada um, e um quinto nome é escolhido por acordo entre os agentes.

A falta de uma gestão executiva na CCEE é motivo de críticas no mercado, já que os próprios conselheiros tomam decisões e depois as referendam no colegiado. Ano passado, a CCEE submeteu ao Ministério de Minas e Energia (MME) uma nota técnica com a proposta de reforça na sua governança, e o assunto ficou em consulta pública antes da publicação do decreto em dezembro.

O decreto decidiu que o conselho da CCEE passará a ser formado por oito membros, eleitos em assembleia geral: um presidente, indicado pelo MME, três membros indicados pela pasta e um representante de cada segmento de atuação da CCEE, divididos entre geração, comercialização, consumo e distribuição.

No dia 22 de dezembro, o Fórum das Associações do Setor Elétrico (Fase) enviou carta manifestando “preocupação” sobre as mudanças estabelecidas pelo decreto, pelo entendimento de que o governo terá poderes amplos na entidade e poderá definir aumentos nos custos suportados pelos agentes de forma arbitrária.

Ao colocar nas mãos do governo o poder de tomada de decisão, os agentes avaliam que sua natureza jurídica está sendo subvertida e a CCEE está sendo “estatizada”.

Na carta, o Fase afirmou ainda que o orçamento da CCEE não pode ser aprovado pelo conselho, já que são agentes privados que sustentam a entidade e “não poderão decidir o que pagam, tampouco quanto pagam”.