Realidade climática demanda mudança em trabalho de empresas e da regulação, diz diretor da Aneel

Natália Bezutti

Autor

Natália Bezutti

Publicado

21/Nov/2023 15:33 BRT

Após o fim de semana com eventos climáticos em diversas regiões do país, com destaque para os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Sandoval Feitosa, destacou que essa é uma nova realidade a qual o setor elétrico tem que se ajustar.

“As empresas têm que mudar os métodos de trabalho e a regulação tem que responder a essa nova realidade. A agência também, de forma muito dinâmica terá que se adaptar a esse novo momento”, disse Feitosa na abertura da reunião de diretoria da Aneel desta terça-feira, 21 de novembro.

Amanhã, às 9h, a agência participará de audiência na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Na última semana, os cinco diretores da agência participaram de reunião com o governador de São Paulo, prefeitos de 21 cidades, Defesa Civil e Corpo de bombeiros, após evento em 3 de novembro que deixou mais de 2,1 milhões de unidades consumidoras sem energia no estado, discutindo os problemas e as alternativas para reduzir o tempo de recomposição das cargas.

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A reunião também foi uma preparação para a possibilidade de ventos fortes na área de concessão paulista no fim de semana, mas que acabou sendo menos severa.

“Nesta ocasião, e de comum acordo, encaminhamos a equipe técnica da Aneel para desenhar as estratégias para que durante o fim de semana houvesse o acompanhamento, esse que foi feito por mim e pelo diretor Fernando Mosna. Ambos passaram o fim de semana em São Paulo acompanhando tanto a estratégia definida pela distribuidora de energia SP, a Enel e as demais, e envolvia o estado e no centro de monitoramento de emergência do estado”, completou Feitosa.

Enel RJ e SP

Com efeitos mais severos na área de concessão da Enel Rio, a empresa informa que 97% dos clientes afetados pela tempestade registrada na noite de sábado (18) tiveram o serviço normalizado.

A empresa mobilizou um reforço ainda maior de equipes entre ontem (20) e hoje (21), principalmente nas cidades mais afetadas, como Niterói, São Gonçalo, Maricá e Petrópolis. Ao todo, cerca de 900 equipes estão atuando nas ruas para acelerar o atendimento das ocorrências remanescentes.

A Enel também implementou “mesas de cooperação” com as Prefeituras de Niterói, São Gonçalo e Petrópolis em que representantes da distribuidora e das administrações municipais atuam em conjunto em tempo real.

Os atendimentos que permanecem em curso nesta terça-feira são mais localizados e muitas vezes complexos, porque demandam a reconstrução da rede, exigindo horas de serviço em cada local.

No total, a empresa destaca que mais de 100 postes e mais de 50 transformadores foram substituídos, além de 50 mil equipamentos da rede trocados ao todo, incluindo mais de 11 mil conectores, necessários para reparação dos cabos danificados.

Já para a Enel SP, a empresa informou nesta terça que restabeleceu a energia para todos os clientes que tiveram o fornecimento afetado na noite de 18 de novembro, com a pancada de chuva acompanhada de ventos que atingiu parte da região metropolitana.

Neste caso, a concessionária reforçou seu plano de ação emergencial nos municípios atendidos com mobilização antecipada das equipes em campo e nos canais de atendimento.

Celesc

Em nota divulgada na última quinta-feira, 16 de novembro, a Celesc aponta que o estado chegou a ter 64 mil unidades consumidoras sem energia, contando com 312 equipes atuando no restabelecimento.

Copel 

Uma sequência de intempéries climáticas de grandes proporções entre julho e outubro de 2023 e provocou estragos na rede elétrica do Paraná com números até 250% superiores ao registrados na mesma época, em outros anos. Esses temporais, que em algumas situações causaram o desligamento de cerca de 1 milhão de unidades consumidoras, exigiram a substituição de 5.100 postes no período, 3,5 vezes a mais do que a média para o quadrimestre, que é de 1.460 postes.

“A maior parte dos danos à rede foi causada pela intensidade dos temporais. Além de precipitações frequentes, agravadas por ventos fortes e descargas atmosféricas, foram registrados dois tornados no período, situações em que os ventos alcançaram 160 quilômetros por hora”, disse a empresa em nota.

Como consequência, a distribuidora paranaense registrou 198 mil interrupções emergenciais entre julho e outubro, número 28% maior que a média.