ExxonMobil e Chevron anunciam investimentos para 2024, com foco em upstream e não-convencionais

Maria Clara Machado

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Maria Clara Machado

Publicado

07/Dez/2023 14:08 BRT

As petroleiras americanas ExxonMobil e Chevron anunciaram nesta quarta-feira, 6 de dezembro, seus planejamentos de investimento para 2024. A maior parte dos investimentos deve ser feita em atividades de óleo e gás, com destaque para a exploração de xisto.

O anúncio vem alguns dias depois do lançamento da “Carta de Descarbonização do Petróleo e Gás”, durante a 28ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2023 (COP28), em que 50 empresas de petróleo se comprometem a zerar as emissões líquidas até 2050. A ExxonMobil é uma das signatárias, enquanto a Chevron não participou do compromisso.

ExxonMobil investirá cerca de US$ 24 bilhões em 2024

A ExxonMobil revisou seu Planejamento Corporativo até 2027. Agora, a companhia prevê investir entre US$ 23 bilhões e US$ 25 bilhões em 2024, e entre US$ 22 bilhões e US$ 27 bilhões anualmente entre 2025 e 2027. O retorno médio esperado é de 30%, e mais de 90% dos valores devem ter retorno em menos de 10 anos. Segundo a empresa, o aumento nos investimentos a partir de 2025 se deve às soluções de baixo carbono.

A companhia também informou que já conseguiu enxugar custos na ordem de US$ 9 bilhões em relação a 2019, e espera reduzir em mais US$ 6 bilhões as despesas estruturais até 2027.

A empresa mantém o objetivo de recomprar US$ 17,5 bilhões em ações em 2023, como parte do programa de recompra de US$ 35 bilhões anunciado anteriormente para 2023 e 2024. Quando a fusão com a Pioneer estiver concluída, a recompra de ações deve atingir US$ 20 bilhões por ano até 2025.

Em relação à produção, a ExxonMobil espera produzir 3,8 milhões de barris de óleo equivalente por dia em 2024, aumentando para 4,2 milhões de barris diários até 2027, impulsionada pelas atividades Guiana e na Bacia do Permiano, nos Estados Unidos, onde há atividade não-convencional. Com a estratégia de investimentos em ativos de baixo custo e alto retorno, a empresa avalia que as atividades de upstream deverão dobrar sua lucratividade até 2027 em relação a 2019.

Sobre descarbonização, a Exxon mantém a meta de reduzir entre 40% e 50% sua intensidade de carbono nas atividades de upstream até 2030, na comparação com os níveis de 2016. A empresa avalia que já alcançou cerca de metade deste objetivo.

As soluções de baixo carbono devem receber US$ 20 bilhões em investimentos até 2027. Este valor se soma aos US$ 5 bilhões anunciados em agosto de 2023 na compra da Denbury, que possui mais de 2 mil quilômetros de dutos dedicados ao transporte de dióxido de carbono. A estrutura é essencial para estratégias de captura, uso e armazenamento de carbono (CCUS, na sigla em inglês).

A ExxonMobil também está interessada em negócios de lítio, onde avalia que há sinergia com as competências de upstream (como geociências, gerenciamento de reservatórios e perfuração) e downstream (como processamento e extração de fluidos). A meta é fornecer lítio suficiente para a produção de 1 milhão de veículos elétricos por ano até 2030.

A Exxon já começou a primeira fase de um projeto de lítio no estado de Arkansas, nos Estados Unidos, que deve começar a produzir em 2027. Oportunidades em outras regiões do mundo também são analisadas.

Chevron anuncia cerca de US$ 16 bilhões em investimentos para 2024

Já a Chevron planeja um Capex entre US$ 15,5 e 16,5 bilhões para 2024. A maior parte do investimento será feito nos Estados Unidos.

Em upstream, o investimento planejado é de US$ 14 bilhões, com dois terços destinados a atividades nos Estados Unidos. No país, cerca de US$ 6,5 bilhões devem ser alocados na produção de xisto, sendo US$ 5 bilhões para a Bacia do Permiano. Ainda sobre o valor destinado às atividades nos Estados Unidos, cerca de 25% devem ir para o Golfo do México.

O investimento em downstream está projetado para US$ 1,5 bilhão, com 80% alocados nos Estados Unidos.

Incluídos nos orçamentos upstream e downstream, há aproximadamente US$ 2 bilhões para reduzir a intensidade de carbono das operações tradicionais e desenvolver novas linhas de negócios de energia, como biocombustíveis.

Caso a aquisição da Hess, anunciada em outubro de 2023, se confirme, o investimento anual da Chevron deve passar para a faixa de US$ 19 bilhões e US$ 22 bilhões. A conclusão desta operação está prevista para o primeiro semestre de 2024.