Petrobras volta para fertilizantes por hidrogênio verde e faz fundo bilionário para descarbonização

Maria Clara Machado

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Maria Clara Machado

Publicado

24/Nov/2023 20:33 BRT

No plano estratégico 2024-2028, aprovado pelo Conselho de Administração da Petrobras nesta quinta-feira, 23 de novembro, a companhia estabelece o retorno ao negócio de fertilizantes. Em entrevista coletiva sobre o planejamento, realizada nesta sexta-feira, 24 de novembro, a diretoria da estatal explicou que a companhia pretende voltar ao negócio de fertilizantes porque faz parte da transição energética.

“Faz sentido do ponto de vista econômico e de transição energética. É daí que surgem amônia verde, fertilizantes do futuro”, disse o presidente da companhia, Jean Paul Prates. Segundo ele, a companhia não podia operar em fertilizantes antes porque a gestão anterior havia retirado o negócio do planejamento estratégico.

A estatal é dona de quatro fábricas de fertilizantes. Duas delas – uma na Bahia e outra em Sergipe – foram arrendadas para a Unigel em 2020 e estão com atividades suspensas por questões de custos. A Petrobras planeja retomar as atividades nestas unidades em parceria com a Unigel.

Segundo o diretor de Processos Industriais e Produtos, William França, a Petrobras avalia um programa de amônia verde que inclui a produção de hidrogênio verde por eletrólise em uma das unidades arrendadas para a Unigel. Na fábrica de fertilizantes da Bahia, também com a Unigel, há a possibilidade de utilização do reator de síntese para produção de amônia verde para exportação.

Outra fábrica de fertilizantes da Petrobras é a Araucária Nitrogenados (Ansa), no Paraná. Atualmente sem operação, deve ser a primeira a ser retomada, no segundo semestre de 2024. A fábrica de Três Lagoas (MG), que ainda não entrou em operação, deve ter suas obras concluídas. Na entrevista, Prates mencionou possíveis parceiros na China para este negócio.

Em renováveis, empresa busca MW mais barato e mira em solar e eólica onshore 

O planejamento da companhia para os próximos cinco anos traz investimentos de US$ 5,1 bilhões em projetos de eólica, solar, hidrogênio, além de captura, uso e armazenamento de carbono (CCUS) e investimentos em venture capital.

O diretor de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras, Mauricio Tolmasquim, explicou que a companhia quer potencializar a competitividade do seu hidrogênio e por isso deve privilegiar projetos de eólica e solar onshore, que têm menor custo por MW. Segundo ele, o foco agora está em tecnologias maduras e de rentabilidade comprovada, que possam gerar energia renovável barata para a produção de hidrogênio verde.

Ao mesmo tempo, a companhia prevê “um pouco de recurso” para pesquisas em eólica offshore, para que esteja pronta quando o marco regulatório e o leilão das eólicas em alto-mar forem publicados.

“Se a gente começar um negócio de hidrogênio, ele vira um grande negócio só com a Petrobras”

Além das iniciativas em hidrogênio verde, Tolmasquim avalia que há muito espaço na Petrobras para hidrogênio azul, feito a partir do gás natural com captura e armazenamento do carbono correspondente.

Neste contexto, o diretor mencionou um projeto-piloto da Petrobras, que prevê o armazenamento de até 100 mil toneladas por ano de carbono em formações geológicas próximo à costa do Rio de Janeiro. Geralmente, a Petrobras armazena carbono em seus próprios campos de óleo e gás.

Com metas para redução das emissões de gás carbônico e metano para cada área de negócios, a Petrobras também estuda a substituição de hidrogênio cinza (feito a partir do gás natural) por verde. “A Petrobras é a maior produtora e consumidora de hidrogênio fóssil do Brasil. Imagina se a gente consegue trocar todo esse hidrogênio cinza por hidrogênio verde. Tem um mercado enorme”, disse Tolmasquim.

Segundo o presidente da companhia, Jean Paul Prates, a Petrobras tem estudado como viabilizar a cadeia de hidrogênio sem depender do mercado externo. “Se a gente começar um negócio de hidrogênio, ele vira um grande negócio só com a Petrobras”.

Outros planos da Petrobras com hidrogênio verde envolvem a produção de combustíveis líquidos, como o metanol.

Fundo de US$ 1 bilhão para descarbonização

A troca de hidrogênio cinza por hidrogênio verde poderá se beneficiar de um fundo de descarbonização, elaborado pela Petrobras para viabilizar tecnologias que sejam mais sustentáveis mesmo que representem um custo maior. A diferença de custo entre a solução mais barata e poluente e a solução mais cara e sustentável poderá ser coberta por este fundo, que tem orçamento de US$ 1 bilhão para o período de 2024 a 2028.