“Proteção do meio ambiente não é uma agenda de comando e controle”, diz Marina Silva

Maria Clara Machado

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Maria Clara Machado

Publicado

04/Dez/2023 14:00 BRT

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, voltou a conciliar a preservação ambiental ao desenvolvimento econômico em discurso feito na sexta-feira, 1º de dezembro, durante a 28ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP28), realizada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

“Não entendemos a proteção do meio ambiente como apenas uma agenda de comando e controle, mas sobretudo de desenvolvimento sustentável, onde a própria sustentabilidade integra os aspectos econômicos, social, ambiental e, eu diria, políticos e de valores”, disse a ministra.

Também na sexta-feira em Dubai, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou o Plano de Transformação Ecológica do Brasil, que poderia ser aplicado a outros países em desenvolvimento. O plano foi adiantado por Haddad e Marina em agosto.

Em sua fala na COP28, Marina Silva também declarou que “a questão dos combustíveis fosseis está no cerne de tudo o que estamos enfrentando no mundo” e reforçou o posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Conferência sobre o ritmo lento das iniciativas de descarbonização adotadas atualmente.

A fala de Marina ocorreu durante o lançamento da iniciativa “Florestas Tropicais para Sempre: pagamento por floresta tropical conservada”, que propõe o uso de fundos soberanos globais para a remuneração dos serviços ambientais prestados por florestas tropicais.

“A partir dos fundos soberanos existentes no mundo que reúnem trilhões de dólares pode-se criar um mecanismo para financiamento de florestas que não é caridade, doação. Os países desenvolvidos terão retorno pelos seus recursos destinados para essa iniciativa e ao mesmo tempo o retorno da biodiversidade, da proteção das florestas”, disse a ministra.

Segundo Marina Silva, entre os cerca de 80 países que têm em seu território florestas tropicais há “países vulneráveis” que precisam de ter meios para oferecer boas condições de vida aos habitantes e “ao mesmo tempo serem remunerados por cada hectare de floresta preservado e restaurado”.