FUP encaminha ofícios ao MME para suspender plano de desinvestimentos da Petrobras

Poliana Souto

Autor

Poliana Souto

Publicado

24/Jan/2023 14:15 BRT

Categoria

Empresas

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) encaminhou ofícios aos ministros de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e da Casa Civil, Rui Costa, pedindo que o governo inicie as negociações para suspender as privatizações de ativos da Petrobras e reavalie os processos de venda de unidades em andamento com a atual direção, ocupada de forma interina pelo diretor de Desenvolvimento da Produção da estatal, Henrique Ritterhaussen.

Nesta semana, o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, e a secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior, se reuniram para discutir as privatizações das unidades. Segundo Bacelar, a atual gestão da empresa continua seguindo o plano de desinvestimento propostos no Planejamento Estratégico 2023/2027, aprovado em dezembro do ano passado. Após o encontro, os ofícios foram encaminhados aos ministérios. 

Suspensão de desinvestimentos da Petrobras (PETR4;PETR3) 

A entidade pede a suspensão dos desinvestimentos da refinaria Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (Lubnor), vendida em maio do ano passado para o grupo Grepar por US$ 34 milhões – o processo ainda não foi concluído. 

A federação também solicita a interrupção da venda do campo de Albacora Leste, na Bacia de Campos. O ativo estava sendo negociado com a Prio (antiga PetroRio) no início de 2022, mas não foi concluído por desistência da estatal. 

Ainda foram solicitadas as suspensões de venda da fatia da estatal na Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG), que tinha contratos assinados com a Galp e a Tradener até dezembro de 2022, e da Transportadora Sulbrasileira de Gás (TSB). 

Além disso, a FUP pede interrupção da venda de ativos de exploração e produção, incluindo os campos de Potiguar, Norte Capixaba, Bahia Terra, Golfinho e Camarupim. 

Segundo a Federação, desde 2019, a Petrobras privatizou 64 ativos com a estratégia de aumentar sua lucratividade e potencializar a distribuição de dividendos, principalmente, para os acionistas majoritários, e que, atualmente, controlam cerca 65% do capital social da empresa. 

“Para além dessa mais de meia centena de ativos privatizados, em um verdadeiro fatiamento da companhia, vários outros estão em processo de privatização, alguns com contrato já assinados (signing), esperando o desfecho do processo e a entrega do ativo (closing), e outros em fase vinculante, onde a empresa negocia com o comprador selecionado os termos do negócio”, destaca a entidade sobre os ofícios enviados. 

Na última semana, a FUP e a Associação Nacional dos Petroleiras Acionistas Minoritários da Petrobras (Anapetro) adotaram medidas judiciais e administrativas para suspender o pagamento de dividendos da Petrobras no valor de cerca de R$ 22 bilhões. No entanto, o pagamento do montante foi realizado normalmente pela estatal.